Publicado 19/08/2026 21:58

O Reino Unido insta Israel a suspender seu plano de assentamentos a leste de Jerusalém

A Alemanha também manifesta sua oposição ao projeto: “Não deve haver mais medidas de anexação na Cisjordânia”

Archivo - Arquivo – 9 de junho de 2026, Londres, Inglaterra, Reino Unido: ED MILIBAND, Secretário de Estado para a Segurança Energética e Emissões Nulas, chega à Downing Street para uma reunião semanal do Gabinete.
Europa Press/Contacto/Thomas Krych - Arquivo

MADRID, 20 ago. (EUROPA PRESS) -

O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido instou Israel a suspender seu plano de estabelecer os assentamentos E1, área localizada na Cisjordânia, a leste de Jerusalém, e convocou o encarregado de negócios israelense para reafirmar sua posição, depois que o governo liderado por Benjamin Netanyahu iniciou a licitação para a construção desses assentamentos, em um projeto que ameaça dividir a Cisjordânia e enterrar a solução de dois Estados para o conflito palestino-israelense, o que gerou uma forte oposição internacional.

“A publicação, por parte do governo israelense, do edital de licitação para o projeto de assentamento E1 é um ato inaceitável e destrutivo”, declarou o ministro das Relações Exteriores britânico, Ed Miliband, em um comunicado no qual denuncia que a construção desses assentamentos “atravessaria o coração da Palestina e corre o risco de separar a Cisjordânia de Jerusalém Oriental, o que colocaria em risco a viabilidade de uma solução de dois Estados”.

Miliband concordou, assim, com a avaliação da situação feita pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que, poucas horas antes, se mostrava “profundamente alarmado” com o avanço do projeto colonial israelense.

Reafirmando a oposição de Londres a esses assentamentos “e seu apoio a uma solução de dois Estados como o único caminho para garantir a segurança e a paz a longo prazo tanto para palestinos quanto para israelenses”, Miliband afirmou que “todos os assentamentos prejudicam essa perspectiva e constituem uma violação flagrante do Direito Internacional”.

Além disso, o ministro indicou que o Executivo britânico já transmitiu sua posição ao governo israelense: em primeiro lugar, ele próprio garantiu ter “deixado claro” ao seu homólogo israelense, Gideon Saar, que o gabinete liderado por Benjamin Netanyahu “deve interromper imediatamente os planos para E1, retirar a licitação e frear toda expansão dos assentamentos”.

Além disso, ele alertou que seu ministério convocou o encarregado de negócios israelense no Reino Unido, a quem foi expressada a “profunda objeção” de Downing Street ao projeto colonial: “Exigimos uma retificação imediata”, diz a nota de Miliband.

Destacando o impacto “catastrófico” da “violência e do terrorismo dos colonos” para as comunidades palestinas, o Executivo britânico ressaltou que “não ficará impassível diante da destruição da solução de dois Estados”.

“Nas próximas semanas, apresentaremos um conjunto abrangente de medidas para responder às políticas do governo israelense, proteger a viabilidade do Estado palestino, impor sanções àqueles que participam da expansão ilegal dos assentamentos e apoiar uma paz justa e duradoura para israelenses e palestinos”, anunciou.

O governo liderado por Andy Burnham deu, assim, continuidade à posição crítica do anterior gabinete trabalhista, liderado por Keir Starmer, em relação ao plano israelense de assentamentos na Cisjordânia, aprovado há exatamente um ano em meio à comemoração de altos cargos do Executivo israelense, como o ministro das Finanças israelense, o ultranacionalista Bezalel Smotrich, que destacou na época que “praticamente elimina a ilusão dos dois Estados” ao dividir o território destinado a um Estado palestino.

Esse projeto tem gerado críticas e protestos a cada avanço realizado nesse sentido desde então e, de fato, cerca de dez países — entre eles Espanha, Reino Unido, França e Alemanha — instaram, em maio deste ano de 2026, as empresas de seus territórios a não participarem do processo de licitação dos assentamentos E1 na Cisjordânia.

Berlim, nesse sentido, também se manifestou a respeito do edital iniciado nesta quarta-feira, em termos semelhantes aos de Londres.

“Não deve haver mais medidas de anexação na Cisjordânia, sejam elas formais ou políticas, estruturais ou de outro tipo que, na prática, equivalham cada vez mais a uma anexação”, defendeu o porta-voz adjunto do governo alemão, Sebastian Hille. “Elas são contrárias à solução de dois Estados”, afirmou ele em declarações divulgadas pela mídia alemã, como os jornais ‘Der Spiegel’ e ‘Die Welt’.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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