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Aplicará sanções contra pessoas e entidades que promovam a expansão dos assentamentos, em uma medida coordenada com a França e o Canadá
MADRID, 8 set. (EUROPA PRESS) -
O governo do Reino Unido anunciou nesta terça-feira o veto ao comércio com os assentamentos israelenses no território ocupado da Cisjordânia, em resposta ao aumento da violência por parte dos colonos — uma medida que simboliza o endurecimento de sua política em relação a Israel, após a chegada de Andy Burnham a Downing Street.
Em uma sessão no Parlamento britânico, o ministro das Relações Exteriores, Ed Miliband, confirmou a medida adotada pelo Executivo britânico, com a qual afirmou querer preservar a solução de dois Estados e estabelecer uma abordagem mais rigorosa em relação à violência dos colonos, para que, dessa forma, as relações econômicas reflitam a rejeição à política de assentamentos.
“Hoje posso anunciar que introduziremos uma proibição à importação de produtos provenientes de assentamentos ilegais nos territórios ocupados. Para isso, estabeleceremos um novo regime abrangente de sanções com as respectivas exceções por motivos religiosos”, explicou.
Miliband afirmou que essa medida permitirá tomar ações contra empresas e pessoas específicas que “forneçam serviços como construção, infraestrutura, financiamento ou bens imóveis para a expansão dos assentamentos”.
“Àqueles que financiam ou facilitam assentamentos ilegais, quero dizer o seguinte: vocês enfrentarão toda a força das sanções do Reino Unido. Os assentamentos são ilegais. Não deveriam ser promovidos em nosso país”, concluiu.
Dessa forma, ele defendeu que a mudança na política externa significa que Londres passe à ação depois de denunciar “por muito tempo” que os assentamentos são ilegais. “Mas permanecemos em silêncio sobre a questão da legalidade da ocupação como um todo”, lamentou, lembrando que tribunais internacionais concluíram que essa política israelense é ‘ilegal’”.
“Hoje marca o início de uma nova abordagem, que não apenas denuncia a injustiça e o sofrimento, mas também age. E, ao adotar essa postura, quero fazer uma distinção muito clara: nossa discordância não é com o povo de Israel; nossa discordância é com a conduta de seu governo”, enfatizou, afirmando que Londres se recusa a ser um “espectador passivo” diante do sofrimento dos palestinos.
O ministro das Relações Exteriores britânico enquadrou essa medida como uma defesa do “único caminho para a paz e a segurança” para israelenses e palestinos, ressaltando que seu apoio ao Estado de Israel não prejudica o apoio à criação do Estado da Palestina.
Referindo-se à sua condição de judeu, Miliband destacou que a solução de dois Estados “baseia-se na convicção explícita de que o único caminho para a segurança de ambos os povos é viverem lado a lado em coexistência pacífica, com liberdade, segurança e autodeterminação”.
Da mesma forma, anunciou que a medida é tomada em coordenação com a França e o Canadá, que tomarão medidas semelhantes para proibir a importação de produtos provenientes de assentamentos ilegais. E lembrou que esses países se somam aos Países Baixos, Irlanda, Bélgica, Espanha e Noruega, que já deram início ao processo para proibir o comércio com os territórios ocupados.
Conforme detalhou, a Dinamarca, a Finlândia, a Islândia, a Polônia, Portugal e a Suécia também estão “comprometidos” a apoiar novas medidas nesse sentido. “É isso que o Reino Unido pode alcançar liderando junto com outros países, e isso também atende ao nosso interesse nacional fundamental. Se há uma lição que podemos extrair das últimas décadas, é que nunca teremos estabilidade no Oriente Médio sem uma solução de dois Estados”, acrescentou.
REAÇÃO DE ISRAEL
Por sua vez, os líderes de Israel reagiram às primeiras notícias que surgiram no início do dia sobre a decisão do Reino Unido de aplicar sanções, afirmando que se trata de “um grave erro de cálculo”. “Uma decisão que ficará do lado errado da história e uma grave ingerência nas eleições democráticas de uma nação soberana”, afirmou o presidente de Israel, Isaac Herzog.
“Não beneficiará a ninguém. Infelizmente, prejudicará diretamente os palestinos, privando-os de negócios e empregos. E, em última instância, minará os interesses e a segurança nacional das nações amantes da liberdade”, destacou, ressaltando que “as sanções não são a solução” e que apenas o “diálogo” o é, exortando os governos estrangeiros a “se afastarem do beco sem saída das sanções e dos boicotes”.
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