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Denuncia que milhões de pessoas podem passar fome se “um único país bloquear essa rota marítima internacional”
MADRID, 19 maio (EUROPA PRESS) -
A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, alertou nesta terça-feira que o mundo enfrenta uma iminente “crise alimentar” em nível global devido à interrupção do fornecimento de fertilizantes pelo estreito de Ormuz, como resultado da ofensiva lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã no final de fevereiro.
Cooper, que lamentou que tudo aponte para uma “crise alimentar mundial”, afirmou que “não se pode permitir que milhões de pessoas passem fome apenas porque um país está sequestrando essa rota marítima”, conforme consta de um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores.
Assim, ele destacou a importância do fornecimento desses fertilizantes, especialmente relevantes devido à chegada de uma época de vital importância para a agricultura e as plantações — e levando em conta que este já era um setor afetado pela invasão russa da Ucrânia, o que impactou especialmente os países africanos devido às dificuldades para exportar grãos.
“Se os parceiros globais não garantirem o fornecimento de fertilizantes, serão necessários envios de ajuda humanitária”, afirmou, ao mesmo tempo em que criticou o Irã e “seu contínuo bloqueio do estreito de Ormuz”. “Esse bloqueio, que ocorre no momento em que estamos ficando sem tempo, mostra por que é necessário pressionar para conseguir a reabertura”, destacou.
Nesse sentido, ele afirmou que essa crise “está afetando tanto países desenvolvidos quanto em desenvolvimento, além dos setores público e privado”, segundo o texto. “Isso mostra por que precisamos de novas formas de abordar as alianças globais, para evitar as crises desde o início”, acrescentou.
“Nosso compromisso com o desenvolvimento internacional reflete nossos valores e nosso interesse nacional. Em um mundo cada vez mais interconectado, a instabilidade no exterior nos afeta aqui em casa, desde o preço da energia até a segurança alimentar. Construir essa resiliência lá fora nos torna mais fortes”, explicou.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) alertou que o número de pessoas afetadas pela insegurança alimentar aguda poderá aumentar em 45 milhões se as atuais interrupções no abastecimento se prolongarem até junho.
Os Estados Unidos e o Irã estão imersos em um processo de diálogo mediado pelo Paquistão, embora as diferenças nas posições tenham impedido, até agora, a realização de uma segunda reunião em Islamabad, que sediou um primeiro encontro cara a cara após o acordo de cessar-fogo firmado em 8 de abril, prorrogado desde então sem prazo determinado por Trump.
O bloqueio do Estreito de Ormuz e o recente ataque e apreensão de navios iranianos na zona por parte das forças americanas têm sido um dos motivos invocados por Teerã para não comparecer a Islamabad, uma vez que considera que essas ações constituem uma violação do cessar-fogo que impede o processo de diálogo. Apesar disso, ambos os países mantêm seus contatos por meio da mediação de Islamabad.
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