Francisco J. Olmo - Europa Press
CÓRDOBA 20 jan. (EUROPA PRESS) - O rei Felipe VI avaliou nesta terça-feira o “nível” da resposta que a Espanha, como país, ofereceu ao “golpe” que representou o acidente ferroviário ocorrido no último domingo em Adamuz (Córdoba), que resultou na morte de pelo menos 41 pessoas e várias dezenas de feridos, e, nesse sentido, agradeceu o papel do sistema de saúde e de atendimento a emergências, bem como o trabalho das administrações e o “carinho” e a “solidariedade” demonstrados pela população.
O monarca destacou isso em uma coletiva de imprensa ao lado da rainha Letizia, após visitar alguns dos feridos do acidente no Hospital Reina Sofía, em Córdoba, onde estiveram acompanhados pela vice-primeira-ministra do Governo, María Jesús Montero; pelo presidente da Junta de Andaluzia, Juanma Moreno, e pelo prefeito de Córdoba, José María Bellido, entre outras autoridades.
Don Felipe explicou que a rainha e ele quiseram ir ao hospital para ver as “vítimas deste trágico acidente ferroviário” depois de terem ido, também nesta terça-feira, ao local do acidente para ter “um testemunho pessoal” sobre “como foi e saber” em primeira mão, “através dos especialistas e dos serviços que atenderam a emergência, de todas as administrações, como avaliam o trabalho” e “o que ainda resta por fazer”. Nesse ponto, o Rei quis “reconhecer o altíssimo profissionalismo, a dedicação, o empenho de todos os que estiveram envolvidos no atendimento da emergência, venham de onde vierem; a vontade de todas as administrações de dar uma mãozinha, de contribuir com os meios e as capacidades que pudessem, de coordenar tudo”, algo “fundamental” diante de uma emergência, e de “atender o mais rápido possível os feridos que têm possibilidade de serem salvos”.
Felipe VI valorizou que tudo isso “demonstra a eficácia e a qualidade do serviço de saúde e da atenção às emergências” e explicou que a Rainha e ele conversaram durante sua visita ao hospital “com algumas das pessoas que sofreram este acidente” para “conhecer um pouco suas circunstâncias, apoiá-las, dar-lhes carinho e esperar que se recuperem o mais rápido possível”.
“Fizemos isso com o máximo respeito por eles, pelo seu entorno, pelas suas famílias, mas também com a vontade de transmitir-lhes o carinho de todo o país, porque realmente foi um impacto muito forte, não só para os afetados e, claro, para Córdoba, para a Andaluzia, para Huelva; enfim, para todos os lados foi um golpe muito forte, e temos que agradecer o carinho e a solidariedade de todos”, acrescentou o Rei.
À pergunta sobre como viram as famílias, o monarca respondeu que, “logicamente, muito afetadas”, mas “também muito gratas pela forma como foram atendidas, tanto as que apresentam sequelas ou ferimentos” como “os acompanhantes que estão com elas”.
“UM ESFORÇO COLETIVO” “É preciso reconhecer isso”, defendeu o Rei, que elogiou o que considera “um esforço coletivo de todos os profissionais responsáveis e todos os administradores”, e, na mesma linha, comentou que “um país tem muitas maneiras de manifestar seu nível e sua força, e uma delas, evidentemente, é como atende às emergências, como coordena todos os serviços e como as pessoas se sentem amparadas e protegidas diante de uma situação que ninguém pode saber quando ocorrerá, a quem vai ocorrer, mas que ocorre, por melhores que sejam nossos meios de comunicação e infraestruturas”.
Nesse sentido, lembrou que há acidentes que ocorrem apesar dessas circunstâncias e lamentou que o de Adamuz “tenha sido muito trágico porque, dadas as circunstâncias”, houve a “péssima coincidência de dois trens passarem no momento exato” em que um deles descarrilou, mas ressaltou que “poderia ter sido muito pior” e avaliou que “a atenção imediata minimizou o número de baixas, de vítimas mortais”. DECLARAÇÕES DA RAINHA Por sua vez, a Rainha indicou que leu esta manhã no jornal que “todos somos responsáveis por não desviar o olhar quando se limpam os escombros de uma catástrofe”. “Não desviar o olhar, e daí o valor que representa estar consciente dessa vulnerabilidade compartilhada”, indicou. Ela também se referiu ao “valor de tantas pessoas profissionais e vizinhos que quiseram se identificar com essa dor e dar o que tinham, sua capacidade profissional ou o que podiam oferecer”. “Essa dor compartilhada e essa identificação também são importantes”, destacou.
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