Alberto Ortega - Europa Press - Arquivo
Além de serem recebidos pelo presidente Al Sisi, eles viajarão para Luxor para visitar missões arqueológicas espanholas.
MADRID, 14 set. (EUROPA PRESS) -
O rei Felipe VI e a rainha Letizia iniciarão nesta terça-feira o que será sua primeira viagem de Estado ao Egito, a convite do presidente do país, Abdelfatá al Sisi, com paradas previstas no Cairo e em Luxor, um dos principais destinos turísticos do país por seus vestígios arqueológicos, e com o objetivo de fortalecer ainda mais uma relação já muito próxima.
Apesar disso, e da importância dada ao Egito devido à sua importância no Oriente Médio, não houve uma visita de Estado da Espanha desde a realizada por Juan Carlos I e Sofia em 2008. Em seu caso, eles também viajaram para o país do Nilo em 1977 e 1978.
A viagem vem na esteira da visita de Al Sisi à Espanha em fevereiro passado, durante a qual, além de se reunir com Felipe VI, os dois governos elevaram seu relacionamento bilateral a uma parceria estratégica. Com essa medida, disse o monarca na época, durante o almoço em homenagem ao presidente egípcio no Palácio Real, "aspiramos abrir um horizonte de prosperidade e desenvolvimento condizente com dois países parceiros e amigos".
O Ministério das Relações Exteriores, cujo chefe, José Manuel Albares, acompanha o rei e a rainha em sua viagem, enfatiza que a visita "representa uma oportunidade propícia para continuar a fortalecer os profundos laços históricos, políticos, econômicos, culturais, científicos, de cooperação e humanos que existem entre o Egito e a Espanha".
Esse é o objetivo da agenda da visita que, além das reuniões políticas e institucionais relevantes, também inclui um fórum de negócios, bem como contatos com a comunidade espanhola e uma viagem a Luxor, abrangendo assim as esferas cultural e turística.
No Cairo, além do encontro com Al Sisi, que receberá o Rei e a Rainha junto com sua esposa no Palácio Al Ittihadiya, também estão programadas reuniões com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hanafy El Gabali, e do Senado, Abdel Wahab Abdel Razek, bem como com o Primeiro Ministro, Mostafa Madbuli.
SITUAÇÃO NA REGIÃO EM SEGUNDO PLANO
A reunião com Al Sisi proporcionará uma oportunidade para discutir a relação bilateral, mas também a situação na região, uma vez que o Egito, juntamente com o Catar e os Estados Unidos, é um dos mediadores para a obtenção de um cessar-fogo em Gaza e a libertação dos reféns israelenses ainda mantidos pelo Hamas desde o ataque perpetrado por esse grupo terrorista em 7 de outubro de 2023.
A visita ocorre em um momento de alta tensão no Oriente Médio, após o ataque realizado por Israel contra a equipe de negociação do Hamas no Catar em 9 de setembro, que foi condenado por unanimidade pelos países árabes e também pela Espanha, e em meio à intensificação da ofensiva militar israelense em Gaza, onde o governo de Benjamin Netanyahu pediu a evacuação da Cidade de Gaza em preparação para sua ocupação iminente pelo exército.
Além disso, ocorre em meio a um confronto diplomático entre o governo espanhol e Israel sobre o pacote de medidas para deter o "genocídio" em Gaza anunciado na segunda-feira, que inclui um embargo legal de armas e a proibição da entrada na Espanha dos ministros de ultradireita Itamar Ben Gvir e Bezalel Smotrich. Israel acusou o governo espanhol de antissemitismo e proibiu a entrada da segunda vice-presidente Yolanda Díaz e do ministro da Juventude Sira Rego.
De acordo com fontes diplomáticas, vários acordos importantes serão assinados durante a visita. Em primeiro lugar, será assinada uma aliança de desenvolvimento sustentável, que se deve ao fato de o Egito ser um país prioritário para a Cooperação Espanhola. Além disso, serão assinados dois acordos sobre extradição e cooperação jurídica no campo criminal.
A agenda no Cairo também inclui uma visita de Felipe VI à sede da Liga Árabe e uma reunião com seu secretário-geral, Ahmed Abul Gheit. A Espanha tem um relacionamento muito bom com essa organização, que reúne 22 países árabes, e prova disso é que o Presidente do Governo, Pedro Sánchez, foi convidado a falar em sua última cúpula de líderes em abril passado.
FÓRUM DE NEGÓCIOS
Na área econômica, o rei será responsável pela inauguração de um fórum de negócios na capital egípcia em 18 de setembro, que contará com a presença de empresários de ambos os países. Durante a visita de Al Sisi a Madri, o monarca destacou o desejo de aprofundar ainda mais as relações econômicas.
A Espanha, destacou Felipe VI, tem "empresas líderes" em infraestrutura, transporte, meio ambiente, água e energia que já trabalham no Egito, e agora o objetivo é estender essa presença a "áreas estratégicas como defesa e energias renováveis".
VISITA AO LUXOR
No mesmo dia, à tarde, o Rei e a Rainha viajarão para Luxor, a segunda parada de sua visita. Lá, eles planejam visitar o Templo de Hatshepsut, localizado no Vale dos Reis, e assistir à inauguração da nova iluminação desse monumento do Egito Antigo, que foi realizada por uma empresa espanhola.
Na sexta-feira, antes de retornar à Espanha, eles visitarão várias tumbas no Vale dos Reis, que também foram iluminadas por empresas espanholas, bem como o Museu de Luxor, onde terão a oportunidade de ver peças relacionadas a missões arqueológicas espanholas e vários projetos de escavação arqueológica liderados por pesquisadores espanhóis.
Embora Al Sisi tenha expressado seu desejo de que tanto o Rei e a Rainha quanto Sánchez pudessem participar da inauguração do novo Museu Egípcio quando de sua visita a Madri, isso não será possível. Inicialmente, a inauguração estava programada para o início de julho, mas até o momento não há previsão de uma nova data. Espera-se que ele se torne o maior museu do mundo quando abrir suas portas.
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