José Ramón Hernando - Europa Press
No aniversário do assassinato de Tomás e Valiente, lamenta que ainda haja quem “não justifique e condene” o terrorismo MADRID 13 fev. (EUROPA PRESS) -
O rei Felipe VI defendeu a necessidade de continuar a recordar cada uma das 853 vítimas mortais do grupo terrorista ETA, argumentando que “a memória não é uma forma de vingança”, mas sim um “dever cívico”, ao mesmo tempo que mostrou a sua incompreensão pelo facto de ainda hoje haver quem não condene o terrorismo.
“A memória não é uma forma de vingança, nem uma lista interminável de agravios, nem um obstáculo ao progresso. A memória é um dever cívico. Não podemos viver, não podemos conviver, sem a memória”, afirmou durante sua intervenção no ato com o qual a Universidade Autônoma de Madri prestou homenagem ao jurista e professor Francisco Tomás y Valiente no 30º aniversário de seu assassinato pelo grupo terrorista ETA.
Segundo Felipe VI, “essa é uma lição que nossos jovens, que felizmente não viveram aquela Espanha, devem aprender e ter sempre muito presente, e para isso devemos ensiná-la a eles”.
“O assassinato de um professor em seu escritório na faculdade causou uma enorme comoção”, destacou o monarca, que foi aluno de Tomás y Valiente durante sua passagem pela UAM, reconhecendo que aqueles “eram tempos muito difíceis, em que a sociedade enfrentava a dura realidade da barbárie na forma de uma série de atentados terroristas”.
Aquele “foi um ato de singular brutalidade, de irracionalidade sem limites, orientado a semear o terror em estado puro”, avaliou Felipe VI, lembrando que o próprio Tomás y Valiente defendia que “cada vez que matam um, matam um pouco a todos nós”. O TERRORISMO PROCURA MATAR A CONVIVÊNCIA
“Quando se escolhe a violência em vez da palavra, o objetivo é matar a convivência, isto é, cercear a liberdade e semear o ódio que impede a compreensão daquele que pensa diferente”, sustentou, sublinhando que “esse e nenhum outro era o objetivo do terrorismo, tão totalitário e desumano que custa acreditar que ainda hoje haja quem o justifique e não o condene”.
Além disso, chamou a atenção para o fato de que muitos dos assassinatos perpetrados pela ETA “continuam sem solução, apesar do tempo decorrido” e enfatizou que os espanhóis devem a “convivência pacífica” a pessoas como Tomás y Valiente, mas também a muitos outros assassinados pelo grupo terrorista, incluindo “centenas de servidores públicos de todos os tipos” e também “civis de todas as condições, incluindo crianças”.
“Em memória e em nome da dignidade deles, de seus entes queridos e de todas as vítimas sobreviventes, todos nós devemos continuar trabalhando por uma convivência pacífica, democrática e solidária, no âmbito de nossa Constituição, de seus valores e do espírito com que foi forjada”, afirmou o monarca. Por isso, acrescentou, “devemos lembrar-nos de todas elas: suas vidas, seus exemplos e também as circunstâncias de seus assassinatos”.
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