Marcos Moreno - Europa Press
MADRID 5 set. (EUROPA PRESS) -
A ministra da Juventude e da Infância, Sira Rego, exigiu que o PP “aprove” o transferência de 500 menores de Ceuta para a Península, ao afirmar que “as vagas estão disponíveis” e que falta apenas a aprovação do governo da cidade autônoma para que isso se concretize.
Além disso, a ministra acusou “os dirigentes do Partido Popular” de exigir a expulsão de todos os menores migrantes, algo que qualificou como “mecanismo de deportação em massa de crianças” e que considera, ainda, “ilegal e desumano”.
Rego defendeu que qualquer procedimento deve ser “individual, para cada menino e cada menina”, levando em conta o interesse superior da criança, conforme previsto, segundo ela, na ordem jurídica espanhola.
Nesse sentido, ela propôs duas medidas concretas que, em sua opinião, o PP poderia adotar “de forma imediata”, como que Ceuta aprove a transferência das 500 menores para a Península, já que “as vagas já estão disponibilizadas e são financiadas pelo Estado”, e que as comunidades autônomas governadas pelo PP “demonstrem solidariedade” e cooperem no acolhimento de menores.
RECONHECE “PARTE DA RESPONSABILIDADE” DO GOVERNO
Rego reconheceu “uma parte da responsabilidade” do governo na gestão da crise e afirmou que “a coordenação deveria ter sido mais eficiente ou mais rápida”. No entanto, defendeu que é possível “atender aos cidadãos e cidadãs de Ceuta” e, ao mesmo tempo, às “pessoas em situação de vulnerabilidade” que chegaram à cidade, ao mesmo tempo em que rejeitou a ideia de que seja necessário escolher entre uma coisa ou outra.
“É verdade que houve uma situação de sobrecarga extraordinária, e a coordenação deveria ter sido mais eficiente ou mais rápida. Vimos situações e continuamos vendo situações que, evidentemente, não nos agradam; por isso digo que é importante a autocrítica, assumir a responsabilidade e arcar com a parte que nos cabe”, afirmou a secretária de Juventude e Infância.
Por outro lado, a ministra acusou o partido Vox de “apontar e incitar a caça a seres humanos” a partir de “tribunas das instituições democráticas” por meio de “discursos de ódio” que, em sua opinião, “não são opiniões legítimas”, pois “o racismo e o fascismo não são opiniões legítimas”.
CRÍTICA AO MODELO EUROPEU DE FRONTEIRAS
Questionada sobre o papel da União Europeia, Rego ressaltou que a Espanha é a fronteira sul da UE e criticou os “mecanismos de externalização e militarização das fronteiras”.
Em vez disso, defendeu mecanismos de “vias legais e seguras”, como os aplicados durante a crise dos refugiados da Ucrânia, “um acolhimento obrigatório e solidário” com recursos europeus para os territórios de entrada.
A ministra também denunciou um “preconceito racista” no tratamento diferenciado entre a crise ucraniana e a atual, ao considerar “desumano” que não se aplique o mesmo critério de acolhimento rápido e solidário aos menores que chegaram a Ceuta.
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