MADRID, 21 mar. (EUROPA PRESS) -
A rainha Letizia iniciará nesta segunda-feira uma visita de três dias a Cabo Verde, que lhe permitirá conhecer em primeira mão o trabalho realizado pela Cooperação Espanhola neste pequeno arquipélago localizado na África Ocidental.
Esta será a décima viagem deste tipo que a rainha realiza desde que começou a fazer essas viagens em 2015, a fim de ajudar a aumentar a conscientização sobre o trabalho que a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID) e ONGs, bem como comunidades autônomas e autoridades locais, realizam em todo o mundo no campo da cooperação para o desenvolvimento.
A Cooperação Espanhola para o Desenvolvimento está presente em Cabo Verde, um país de cerca de 500.000 habitantes que goza de grande estabilidade institucional e democrática em uma região conturbada, desde 1999. Atualmente, é um dos países prioritários para a ação na África Ocidental, com projetos de ONGD em andamento no valor de 3,7 milhões de euros, e durante o período 2021-2024, a AECID investiu 13 milhões de euros no país.
Com a sua visita, a Rainha Letizia, que viaja acompanhada pela Secretária de Estado da Cooperação, Eva Granados, pretende reafirmar e destacar a solidariedade da Espanha com Cabo Verde, reconhecer o trabalho e o compromisso dos agentes de desenvolvimento que trabalham neste país - atualmente 32 - e também informar o público sobre os programas que estão sendo implementados.
A viagem será dividida em duas etapas, uma inicial na ilha de Santiago, onde se localiza a capital cabo-verdiana, Praia, e uma segunda na ilha de San Vicente, e incluirá visitas a vários dos projetos que estão sendo realizados no país, com foco essencialmente na igualdade de gênero, na redução das desigualdades e na chamada economia azul.
TRÊS PRINCIPAIS ÁREAS DE AÇÃO
Na primeira dessas seções, Dona Letizia poderá conhecer alguns dos projetos que, em conjunto com ONGs espanholas ou locais, buscam contribuir para o empoderamento das mulheres cabo-verdianas, ajudando-as a ter acesso a empregos decentes em um país onde a informalidade prevalece e as condições de trabalho das mulheres são piores.
Assim, por exemplo, ela poderá conhecer algumas das mulheres que participam de uma oficina de corte e costura, bem como de outra voltada para o treinamento e o empoderamento de mulheres vítimas de violência de gênero e em risco de exclusão. Além disso, também está planejada uma visita a abrigos para vítimas de violência de gênero.
Outro dos projetos dos quais a Cooperação Espanhola mais se orgulha é o desenvolvimento integral da comunidade de Porto Mosquito.
Aqui, em aliança com cinco agências da ONU, como a UNICEF e o PNUD, o governo cabo-verdiano e a câmara municipal de Ribera Grande de Santiago, onde a comunidade está localizada, está sendo realizado um trabalho para reduzir as desigualdades identificadas pelos próprios habitantes. De acordo com fontes do Ministério das Relações Exteriores, esse é um projeto piloto que pretende ser replicado em outras comunidades vulneráveis.
No que diz respeito à chamada economia azul, a cooperação espanhola está trabalhando em Cabo Verde para apoiar o uso sustentável dos recursos marinhos e costeiros do arquipélago, com o objetivo de impulsionar o emprego, promover o crescimento sustentável e proteger o meio ambiente.
Nessa área, são realizados projetos para a inclusão e liderança de mulheres e jovens no setor de pesca artesanal. Além disso, também está sendo feito um trabalho para melhorar a segurança alimentar nas cantinas escolares, por meio de toda uma cadeia que vai desde os pescadores artesanais até as mesas de cerca de 1.600 alunos do ensino fundamental.
A Espanha também tem apoiado Cabo Verde no desenvolvimento sustentável de seu setor de turismo, uma das principais fontes de renda do país, com iniciativas como a reabilitação de antigos faróis em suas costas, ajudando as autoridades cabo-verdianas a diversificar sua economia.
Como é de praxe nesse tipo de viagem, a rainha terá uma reunião com os trabalhadores humanitários espanhóis que trabalham em Cabo Verde, além de um café da manhã de trabalho com a primeira-dama do país, que também a acompanhará em algumas das visitas aos projetos.
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