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SERÓN (ALMERÍA), 27 (EUROPA PRESS)
A monumental azinheira conhecida como "La Peana", considerada a maior árvore da Andaluzia, não conseguiu deter sua deterioração, apesar do projeto iniciado há dois anos para tentar atenuar a rachadura de quase quatro metros de comprimento e oito centímetros de largura que vai da base até um dos galhos principais. Embora tenha sido estabilizada inicialmente, as últimas revisões confirmaram seu crescimento.
"É uma árvore em um processo avançado de senescência, que não pode ser interrompido e, infelizmente, terminará com sua morte. O objetivo é que esse momento chegue o mais tarde possível", disseram à Europa Press fontes do Ministério Regional de Sustentabilidade e Meio Ambiente, de onde foram feitas quase 20 visitas de controle e monitoramento ao espécime desde setembro de 2022.
Foi durante a última das inspeções realizadas na árvore localizada em Serón (Almeria) que se constatou que a rachadura que atravessa o exemplar havia crescido, com um aumento na largura de seis milímetros na parte superior e inferior, ampliando para oito milímetros na parte central.
Diante dessa circunstância, a Delegação de Sustentabilidade entrou em contato com o especialista que, em 2020, ao detectar a rachadura, realizou os primeiros trabalhos de poda e suporte para tentar mitigar o risco de colapso. Espera-se que uma nova visita ocorra nos próximos dias, a fim de obter uma nova avaliação em primeira mão.
Por sua vez, a administração regional assegurou que serão adotadas "todas as medidas tecnicamente aconselháveis" para "retardar ao máximo" a deterioração dessa azinheira declarada Monumento Natural da Andaluzia, que se destaca por seus 18,5 metros de altura e, sobretudo, pela projeção de sua copa, que chega a quase 302 metros quadrados.
La Peana tem uma cruz muito ampla composta por quatro ramos principais que se subdividem em um rendilhado. Seu nome se deve ao poderoso pescoço de 15 metros de perímetro em sua base, que funciona como um pedestal e que, de acordo com os especialistas que o analisaram, é um indicador da presença de cavidades em seu tronco.
FUNGOS, PESO E CLIMA, A ORIGEM DA QUEBRA
Foi em junho de 2020 que a rachadura que afetava a Encina de la Peana foi notada pela primeira vez, o que levou a Junta de Andalucía a instalar suportes de apoio para ajudar a sustentar os galhos, enquanto especialistas eram contatados para determinar a origem da quebra, que pode ser explicada por uma combinação de fatores como o aparecimento de fungos, o peso dos galhos e a influência do clima.
Assim, os profissionais da Rede de Alerta Fitossanitário Florestal do Ministério Regional da Agricultura determinaram, por meio de suas análises, que a rachadura se devia a vários elementos, entre eles, algumas cavidades e apodrecimento interno do tronco e dos galhos causados por fungos xilófagos, que penetram no interior da árvore e se proliferam ao longo dos anos a partir de feridas causadas pela quebra de galhos por causas naturais ou humanas.
Nesse sentido, os trabalhos posteriores para tentar evitar a morte da árvore revelaram uma "poda drástica" realizada há cerca de 80 anos "com cortes de grande diâmetro", que foi considerada a possível origem da entrada de fungos xilófagos na azinheira.
No entanto, as análises de amostras de plantas realizadas no Laboratório de Produção e Saúde Vegetal em Almeria não detectaram a presença dos fungos patogênicos "Phytophtora cinnamomi" ou "Pythium spiculum" ou da bactéria "Xylella fastidiosa" nos ramos que foram removidos na intervenção subsequente.
Além desse fator biológico, essa rachadura foi causada pelo peso dos grandes galhos da árvore que, no inverno de 2019, sofreram nevascas e ventos fortes. Isso teria produzido certas tensões "extraordinárias" na árvore.
As chuvas da primavera seguinte, seguidas de ventos e temperaturas elevadas, causaram o ressecamento da estrutura interna e a contração-expansão dos tecidos, resultando em um "colapso transversal, causando a fissura ou rachadura na direção da fibra da madeira".
Em suas conclusões, os especialistas da Rede de Alerta Fitossanitário Florestal advertiram que se tratava de uma árvore velha, em um processo avançado de senescência que logicamente terminará com a morte da planta, embora valorizassem a adoção de ações para retardar esse momento, cientes das circunstâncias estruturais da árvore.
PODA DA COPA E FIAÇÃO ELÉTRICA
Com a contratação da empresa especializada em arboricultura 'Arbores', foi iniciada em julho de 2020 uma intervenção para tentar salvar a árvore. Assim, foi realizada uma poda de desbaste do eixo afetado, o que permitiu uma redução de cerca de 30% de sua capacidade de folhagem.
O objetivo dessa poda era ajudar a árvore a reduzir a alavancagem e o esforço de vela na presença da rachadura e, ao mesmo tempo, facilitar a entrada de luz entre seus galhos, o que deveria ajudar a gerar brotações internas para mudar o centro de gravidade da árvore e reequilibrá-la.
Ramos de pequeno diâmetro também foram removidos e, paralelamente, foi usada fiação para neutralizar as tensões, impedir o crescimento da rachadura e ajudar a árvore a se estabelecer.
Em 2022, seguindo as recomendações dos especialistas, foi instalada uma cerca de corda perimetral com postes de madeira, fora da projeção da copa da árvore, para evitar a compactação do solo e também favorecer a segurança dos visitantes. Todo esse trabalho foi realizado com o consentimento e a colaboração do proprietário do terreno onde se encontra a azinheira.
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