Publicado 15/09/2026 16:10

Rabat enviou uma carta expondo sua posição sobre Ceuta aos eurodeputados antes do debate no Parlamento Europeu

Archivo - Arquivo - Foto de arquivo do rei do Marrocos, Mohamed VI
MAP - Arquivo

Marrocos se pergunta que interesse teria em provocar uma crise com a Espanha e a UE, ainda mais durante a Festa do Trono

BRUXELAS, 15 set. (EUROPA PRESS) -

A Missão de Marrocos junto à União Europeia e à OTAN enviou nesta segunda-feira uma carta seletiva a eurodeputados para transmitir a posição de Rabat sobre a crise migratória em Ceuta, apenas um dia antes de o plenário do Parlamento Europeu, em Estrasburgo (França), abordar a entrada de 80 mil migrantes na cidade autônoma nos dias 30 e 31 de julho.

Conforme confirmado pela Europa Press, eurodeputados do PSOE, PNV e ERC receberam a correspondência enviada pela representação diplomática marroquina, enquanto ela não chegou aos membros das delegações do PP, Vox, Sumar, Compromís, Podemos ou BNG. Os demais grupos consultados por esta agência não haviam respondido até o momento da publicação desta notícia.

Na carta, datada de 14 de setembro, Marrocos expõe sua posição em relação à resolução sobre Ceuta que será votada na quinta-feira, assegurando que se comprometeu a readmitir “todas as pessoas afetadas, incluindo cidadãos marroquinos, menores desacompanhados e cidadãos de países terceiros” que entraram na cidade no final de julho.

“Com vistas ao próximo debate em plenário do Parlamento Europeu (...) gostaria de compartilhar com você as seguintes informações que expõem a posição do Reino de Marrocos, com o objetivo de esclarecer a situação e contribuir de forma construtiva para o debate”, diz o e-mail enviado a parte dos 61 eurodeputados que a Espanha tem, ao qual a Europa Press teve acesso.

Marrocos afirma que suas autoridades estão trabalhando para esclarecer “as causas e os atores” por trás do que ocorreu em Ceuta e destaca expressamente “o papel evidente desempenhado pela desinformação divulgada pelas redes sociais”, e da “manipulação de pessoas vulneráveis por parte de redes de tráfico e contrabando de migrantes”.

Também faz referência às declarações do Governo da Espanha, nas quais se argumenta que as informações de que dispunha “não permitiam atribuir ao Marrocos a responsabilidade por esses fatos”, e que, além disso, reconhecem “a cooperação rápida e ativa de Marrocos para facilitar o retorno da grande maioria dos migrantes em situação irregular”.

“QUE INTERESSE MARROCOS TEM EM PROVOCAR UMA CRISE?”

A carta também aborda duas perguntas de Rabat, como “que interesse” Marrocos teria em “gerar uma crise maior com a Espanha e com a União Europeia”, especialmente em um momento em que “a UE é o principal parceiro de Marrocos” e em que as relações bilaterais “estão passando por um maior fortalecimento e consolidação”.

“Será que Marrocos teria provocado deliberadamente uma crise migratória no dia da celebração nacional do Reino, a Festa do Trono, uma data de grande significado simbólico em que Marrocos celebra as conquistas do Reino?”, questiona Rabat em sua missiva.

Nesse sentido, a missão marroquina em Bruxelas sustenta que a gestão da “chegada repentina de várias dezenas de milhares de pessoas” em um “período muito curto”, muitas delas decididas a atravessar o Mediterrâneo arriscando suas vidas, “não pode ser abordada por meio do uso de força letal”.

“No entanto, para Marrocos, o uso dessa força também não pode ser considerado nem como um meio nem como uma solução, de acordo com as normas de atuação aplicáveis à gestão dos fluxos migratórios”, explicam os diplomatas de Rabat.

Marrocos também ressaltou o cumprimento sistemático de “seus compromissos com a Espanha e com a União Europeia”, em “estreita cooperação com seus parceiros europeus”, o que, segundo dados da Frontex, impede a entrada irregular de 75.000 pessoas por ano na Espanha, totalizando 227.000 tentativas frustradas entre 2023 e 2025.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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