Publicado 06/05/2026 05:12

Quinhentos acadêmicos pedem a Marlaska que "divulgue" a documentação histórica do Arquivo do Ministério do Interior

O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, apresenta o número de telefone 018 para atendimento às vítimas de acidentes de trânsito, na Direção-Geral de Trânsito, em 23 de abril de 2026, em Madri (Espanha). A DGT apresenta nesta quinta-feira o númer
Alejandro Martínez Vélez - Europa Press

Exigem que os documentos do período entre 1829 e 1994 sejam transferidos para o Arquivo da Administração e que seja garantido o acesso ao que permanecer no Ministério do Interior

MADRID, 6 maio (EUROPA PRESS) -

Quinhentos acadêmicos enviaram uma carta ao ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, para solicitar que ele garanta o acesso à documentação histórica mantida no Arquivo Geral do Ministério do Interior (AGMI) e, especificamente, que “libere” os milhões de documentos do século XIX, da Segunda República ou do franquismo que mantém em violação à sua própria regulamentação.

Segundo informaram à Europa Press os promotores desta iniciativa, aderiram à mesma membros de quase cinquenta universidades públicas de toda a Espanha, algumas privadas e também pertencentes a centros acadêmicos da Argentina e dos Estados Unidos e de países europeus como França, Reino Unido, Itália, Alemanha, Países Baixos, Portugal e Finlândia.

“Nós, signatários, dedicados ao ensino e à pesquisa em história contemporânea, ciência política e disciplinas afins, nos dirigimos a você publicamente para manifestar nossa preocupação com as dificuldades persistentes de acesso à documentação histórica custodiada no Arquivo Geral do Ministério do Interior (AGMI)”, diz a carta.

Os signatários denunciam que essa situação, além de frear o avanço do conhecimento histórico e afetar o direito dos cidadãos de acessar arquivos públicos de acordo com os padrões internacionais, viola as próprias normas do Arquivo do Interior, que estabelecem que ele não deve conservar, de maneira geral, documentação com mais de 30 anos.

Os membros da academia lembram ao ministro que, como qualquer arquivo ministerial, este não deveria custodiar documentação histórica, pois essa missão é confiada aos arquivos especializados, sejam eles históricos ou intermediários, conforme o caso.

DENTRO DO PRAZO E SEM CENSURA

No entanto, o Arquivo do Interior guarda “dezenas de milhares de caixas, com milhões de documentos” do século XIX, da época da Segunda República ou do franquismo, o que implica que “inúmeras pesquisas de caráter histórico devem necessariamente passar pelo AGMI”.

Os pesquisadores denunciam que no Arquivo do Interior se observam “dificuldades de acesso que não costumam ocorrer em outros arquivos públicos”. Assim, eles apontam que os pedidos são atendidos com “grandes atrasos”, não são disponibilizados os instrumentos de consulta e, em algumas ocasiões, “é entregue documentação que não está sujeita a restrições de acesso, com marcas atuais de censura”.

Segundo detalham, muitas dessas práticas decorrem da aplicação restritiva de um regulamento interno desatualizado, que solicitam que seja renovado de acordo com a “normativa atual de transparência e os padrões de abertura que regem a arquivística nacional e internacional”.

Por tudo isso, exigem que, “sob a aplicação estrita da normativa”, se ordene a transferência da documentação histórica custodiada no sistema de arquivos do Ministério do Interior, executando “de imediato” a transferência para o Arquivo Geral da Administração, autorizada desde dezembro de 2024 (um total de 6.111 caixas do período de 1829 a 1994).

TRANSFERÊNCIA EM ETAPAS

Nesse contexto, solicitam também que se identifique a documentação histórica que permanecerá no arquivo após essa transferência e que se “programe sua transferência em etapas” e que, enquanto essas transferências se concretizam, “se garanta o acesso a esse patrimônio documental em condições equiparadas às do restante da rede de arquivos estatais”.

E tudo isso, ressaltam, deve passar pela disponibilização “pública e acessível” dos instrumentos de consulta do arquivo, pela simplificação do procedimento de solicitação de documentação, pela garantia de que as solicitações sejam atendidas dentro do prazo obrigatório de um mês, reforçando, se necessário, o pessoal e os recursos do arquivo para assegurar isso, e pela garantia do acesso integral à documentação que não tenha restrições de acesso.

Da mesma forma, exige que se normalize a consulta presencial no arquivo e que, se necessário, sejam habilitados ou adaptados espaços de consulta no arquivo para garantir esse direito, que se revise e substitua a Instrução que regula o acesso à documentação, de 2006, por um regulamento atualizado e que se garanta a não retroatividade da lei franquista de segredos oficiais de 1968.

O CONGRESSO JÁ SOLICITOU MEDIDAS

No último dia 21 de abril, a Comissão Constitucional do Congresso aprovou uma proposta de lei, impulsionada pelo ERC e acordada com o PSOE, pela qual se insta o Governo a facilitar o acesso aos acervos do arquivo do Interior e a elaborar um plano específico para a digitalização e o acesso online dos acervos documentais, priorizando aqueles de maior relevância para a pesquisa histórica e a reparação das vítimas.

O texto, impulsionado pelo ERC e acordado com o PSOE, foi aprovado na Comissão de Interior com o apoio de Sumar, Junts, Bildu e PNV e o voto contra do PP, Vox e União do Povo Navarro (UPN).

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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