Fernando Sánchez - Europa Press - Arquivo
MADRID 16 maio (EUROPA PRESS) -
O Ministério Público de Madri está pedindo quatro anos de prisão para quatro membros do grupo Frente Atlético 'ultra', acusados de pendurar um boneco inflável em uma ponte da rodovia de Madri em janeiro de 2023, que atentava contra a dignidade do jogador de futebol do Real Madrid, Vinicius, devido ao desprezo "inequívoco" e à rejeição que representava em relação à cor de sua pele.
O julgamento será realizado na próxima segunda-feira no Tribunal Provincial de Madri. O promotor os acusa de um crime contra os direitos fundamentais e as liberdades públicas, em sua modalidade contra a dignidade, e outro de ameaças.
Ao mesmo tempo, pede uma indenização por responsabilidade civil de 6.000 euros pelo dano moral causado ao jogador. De acordo com a acusação, os quatro jovens eram membros do grupo "ultra" conhecido como Frente Atlético, "ideologicamente identificado com a extrema direita".
Assim, nas primeiras horas da manhã de 25 para 26 de janeiro de 2023, antes do início da partida de futebol da Copa del Rey que seria disputada no estádio Santiago Bernabeu entre o Real Madrid e o Atlético de Madrid, às 21 horas, os acusados foram até uma ponte na estrada M-11, em direção a Valdebebas, localizada nas proximidades do complexo esportivo do Real Madrid.
Chegando lá, passaram a pendurar com uma corda um manequim do tipo boneco inflável, com cerca de 165 cm de altura, pele e cabelos pretos, vestindo uma camisa do time de futebol Real Madrid, com o nome nas costas do jogador Vinicius, com seu número dorsal, que o simbolizava, e algumas pedras como peso amarradas com fita isolante no que representaria seus tornozelos.
Eles também penduraram uma faixa de tecido vermelho na ponte, com letras pintadas de branco com o slogan "Madri odeia o Real", com 12,90 metros de comprimento e 1,70 metro de largura.
Posteriormente, Á. B. R., "a título de reivindicação e justificativa da ação que os quatro acusados haviam realizado de forma coordenada", publicou momentos depois, por meio da conta que administrava na rede social X (antigo Twitter), onde tinha 1.223 seguidores, uma primeira fotografia da ponte onde apareciam a faixa e o boneco pendurado, que chegou a ter 18.000 reproduções.
A publicação se tornou viral devido à publicidade alcançada nas redes sociais, onde foi amplamente divulgada, com a mídia tradicional repercutindo a notícia, "aumentando assim o dano ao direito legal protegido que consiste na dignidade da pessoa", nesse caso tanto da vítima quanto do grupo que ela representa.
Da mesma forma, o acusado publicou uma segunda fotografia que mostrava o boneco insuflado no momento dos preparativos, com a camisa do jogador do Real Madrid encostada em uma parede, incorporando-a à hashtag #TodosSomosVini, aumentando assim o menosprezo a essa pessoa, "já que foi utilizada para demonstrar apoio à vítima e repúdio à ação praticada".
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