Um tribunal de Getxo ordenou a prisão preventiva do líder do grupo, que já tinha antecedentes por atividades relacionadas a investimentos financeiros
BILBAO, 14 maio (EUROPA PRESS) -
Quatro pessoas, três homens e uma mulher, foram detidas por aplicarem golpe envolvendo mais de 400.000 euros em investimentos em criptoativos no âmbito da operação “FakeStake”, o que levou ao desmantelamento de uma organização criminosa sediada no País Basco dedicada a golpes com moedas digitais e à subsequente lavagem do dinheiro obtido. Um tribunal de Getxo (Bizkaia) determinou a prisão preventiva do líder do grupo, que já tinha antecedentes por atividades de investimento financeiro.
A operação foi conduzida pela Guarda Civil e as investigações tiveram início após a denúncia apresentada por uma mulher que afirmou ter investido 416.000 euros em uma suposta plataforma de criptoativos, atraída por sua alta rentabilidade. No entanto, ao tentar recuperar o dinheiro, isso se mostrou impossível.
Graças a uma análise técnica e financeira, foi possível detectar movimentos suspeitos ligados a ativos digitais. Por meio do estudo de contas bancárias e carteiras de criptomoedas (aplicativos onde esses ativos são armazenados), os investigadores descobriram uma rede criminosa especializada.
Esse grupo utilizava um método conhecido como “Pig Butchering”, de modo que conquistava a confiança das vítimas durante semanas ou meses, normalmente por meio de redes sociais ou aplicativos de mensagens, para convencê-las a investir em plataformas de criptomoedas com promessas de alta rentabilidade.
A quadrilha criminosa utilizava contratos inteligentes, programas de computador executados por meio de um registro digital descentralizado de transações. Esses contratos eram manipulados para que, ao interagir com eles, as vítimas concedessem permissões sem saber, permitindo que os criminosos esvaziassem seus fundos de forma automática e quase imediata.
A organização criminosa baseava-se em laços familiares, na qual cada membro desempenhava um papel específico. Contavam com uma equipe técnica encarregada de criar e controlar os sistemas digitais e as carteiras finais, e uma rede logística responsável por gerenciar contas e movimentos iniciais de dinheiro.
Além disso, havia pessoas especializadas em dificultar o rastreamento do dinheiro por meio de múltiplas operações e colaboradores que movimentavam fundos por meio de instituições financeiras digitais. Tratava-se de um complexo sistema de lavagem de dinheiro. Para dar aparência legal ao dinheiro obtido, a organização utilizava uma rede de mais de 140 contas bancárias, muitas delas ainda ativas, além de sociedades comerciais sem atividade real utilizadas para ocultar a origem ilícita do dinheiro.
O dinheiro era fracionado e movimentado por meio de diferentes canais para dificultar seu rastreamento. Durante a fase de execução da operação, foi realizada uma busca em uma residência em Vitoria-Gasteiz (Álava), na qual foram apreendidos 30 cartões bancários de diferentes instituições, documentação bancária e anotações com contas, um celular com várias carteiras de criptomoedas e suas senhas de acesso, um dispositivo de armazenamento com documentação utilizada para os golpes, uma “carteira fria” (dispositivo físico utilizado para guardar criptomoedas offline) e um veículo utilizado pela organização.
Participaram da investigação a Unidade de Segurança Cívica, o Serviço Cinológico, a Equipe @ e a Polícia Judicial da Guarda Civil. Os detidos foram apresentados à Seção Civil e de Instrução do Tribunal de Primeira Instância de Getxo, que decretou a prisão preventiva para o líder da quadrilha, que possuía antecedentes relacionados a atividades de investimento financeiro e já havia sido alvo de outras ações por fatos de natureza semelhante.
A Guarda Civil continua trabalhando na investigação para determinar a possível existência de mais vítimas, uma vez que supostamente há prejudicados em outras províncias do território nacional.
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