Europa Press/Contacto/stringer
Al Sharaa anuncia a criação de uma segunda comissão para "preservar a paz civil".
Conselho de Segurança da ONU se reunirá em sessão de emergência na segunda-feira
MADRID, 10 mar. (EUROPA PRESS) -
Mais de 970 civis foram mortos nas últimas 72 horas, vítimas de execuções no oeste da Síria, como parte da ofensiva das forças de segurança das novas autoridades sírias contra grupos ligados ao antigo regime do presidente deposto Bashar al-Assad.
O Observatório Sírio para os Direitos Humanos disse no domingo que 973 pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram mortas desde a operação de segurança lançada na última sexta-feira pelas novas autoridades em Damasco, após ataques de homens armados ligados ao governo do líder que fugiu para a Rússia em dezembro do ano passado.
Desde a escalada, cerca de 40 massacres foram perpetrados, de acordo com a agência sediada em Londres e informantes no país árabe. Os mais recentes ocorreram na cidade de Harat al-Quneitra, perto de Tartous; na cidade de Banias e no bairro de al-Datur, em Latakia; e nas aldeias de Ramle e Rusafa, ambas localizadas na zona rural de Masjaf, perto de Hama.
A província mais afetada até o momento é Latakia, onde pelo menos 545 civis foram mortos. Em seguida, vem Tartous, com 262 mortos, e Hama, com 156. Em Homs, foram registradas pelo menos dez mortes.
O presidente de transição, Ahmad al Sharaa, anunciou na tarde de domingo a criação de uma comissão para "preservar a paz civil" com três membros, incluindo os governadores de Latakia e Tartous.
Uma declaração divulgada no canal Telegram da presidência síria disse que suas funções seriam manter "comunicação direta com as populações da costa síria, fornecer o apoio necessário para garantir a proteção de sua segurança e estabilidade, (e) trabalhar para fortalecer a unidade nacional nesta fase delicada".
No início do dia, al-Sharaa anunciou o lançamento de uma comissão nacional independente de sete juízes, que investigará os recentes massacres na costa da Síria e deverá apresentar um relatório em 30 dias.
O presidente aproveitou a oportunidade para enviar uma mensagem à nação em um vídeo no qual ele garantiu que "não haverá ninguém acima da lei, e qualquer um que tenha manchado suas mãos com o sangue dos sírios será punido".
"Vamos responsabilizar, sem hesitação, qualquer um que esteja envolvido no sangue de civis, ou que tenha prejudicado nosso povo e violado a autoridade do Estado, ou que tenha se aproveitado do poder para atingir seu próprio objetivo", disse ele, depois de atacar as forças ligadas ao seu antecessor, que ele culpou pelos recentes "crimes hediondos".
Ele pediu sua rendição "imediata" e condenou "qualquer apelo para interferir em assuntos internos", "espalhar sedição e dividir" o país.
Os comentários de Al Sharaa foram feitos horas antes da realização de uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para discutir esses eventos. A ONU confirmou que a reunião será realizada a portas fechadas, depois que os membros permanentes Rússia e Estados Unidos solicitaram.
CURDOS SOBRE OS MASSACRES: "ELES NOS LEVAM DE VOLTA A UMA ERA DE TREVAS".
Por sua vez, o braço político das principais milícias curdo-árabes da Síria, as Forças Democráticas da Síria (SDF), pediu às autoridades de Damasco que garantam que essas comissões "sejam justas e transparentes para revelar os fatos do que aconteceu e responsabilizar os culpados".
Em uma declaração, a Administração Democrática Autônoma para o Norte e Leste da Síria (AANES) condenou "veementemente" a violência contra civis, alertando que esses eventos "nos levam de volta a uma era sombria que o povo sírio não quer repetir" e "impedem a construção de (...) uma Síria que acomoda todo o seu povo sem sectarismo e chauvinismo".
Ele também lamentou que os assassinatos "em massa" ocorridos nos últimos dias indiquem "claramente" que o país não "se livrou da mentalidade autoritária" e, portanto, conclamou "todas as forças nacionais sírias (...) a trabalharem juntas para um diálogo nacional construtivo".
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático