Vadim Savitsky / Zuma Press / Europa Press
A Coreia do Norte acusa os Estados Unidos, o Japão e a Coreia do Sul de manterem uma política hostil e adverte que reforçará sua posição
MADRID, 24 set. (EUROPA PRESS) -
A ministra das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Choe Son Hui, afirmou nesta quinta-feira que o país manterá permanentemente seu arsenal nuclear e rejeitou mais uma vez o objetivo de desnuclearização defendido pelos Estados Unidos, pelo Japão e pela Coreia do Sul.
Em declarações à imprensa divulgadas pela agência estatal KCNA, a responsável pela diplomacia norte-coreana sustentou que as três potências mantêm uma política de confronto em relação a Pyongyang e considerou que a insistência delas em exigir o abandono das armas nucleares não passa de uma demonstração de que não alteraram sua posição.
As críticas de Choe surgiram após uma reunião trilateral realizada à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, na qual representantes diplomáticos dos Estados Unidos, do Japão e da Coreia do Sul emitiram uma declaração conjunta reiterando seu compromisso com a desnuclearização da Coreia do Norte, em consonância com as resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
Para a ministra norte-coreana, o comunicado confirma que Washington e seus aliados continuam perseguindo um objetivo que Pyongyang considera impraticável. Apesar das mudanças na linguagem utilizada e de suas repetidas declarações, ela alertou que a intenção desses países de alcançar a desnuclearização da Coreia do Norte permanece inalterável.
UMA POSTURA “INALTERÁVEL, PARA SEMPRE”
Choe afirmou que a inclusão da questão da desnuclearização da Coreia do Norte na reunião trilateral desta semana não constitui uma surpresa para o governo norte-coreano, uma vez que, segundo sua interpretação, os Estados Unidos, o Japão e a Coreia do Sul transformaram a oposição ao país em uma política de Estado. “Teria sido surpreendente e questionável se o assunto não tivesse sido mencionado”, ironizou.
A chefe da diplomacia norte-coreana aproveitou ainda sua declaração para reafirmar categoricamente a política nuclear de seu governo. “A RPDC (Coreia do Norte) mantém inalterável sua vontade de conservar as armas nucleares para sempre”, afirmou ela.
A representante de Pyongyang ressaltou que a posse de um arsenal nuclear constitui uma questão irreversível para seu país e esclareceu que ela não está sujeita a modificações, ao mesmo tempo em que defendeu que a Coreia do Norte manterá suas capacidades nucleares nas próximas gerações, sem que as pressões internacionais possam obrigá-la a renunciar a elas.
Na mesma linha, Choe observou que a estratégia de pressão exercida contra a Coreia do Norte não conseguiu alterar a posição das autoridades norte-coreanas e garantiu que nenhum país ou força externa poderá forçar seu governo a abandonar o que considera um elemento central de sua soberania nacional e de seus interesses fundamentais.
Diante disso, a diplomata também rejeitou uma fórmula que eventualmente combinasse confronto e diálogo, por considerar que tal possibilidade é inaceitável para a Coreia do Norte.
De fato, ela previu que, quanto maior for a pressão internacional para que Pyongyang abandone suas armas nucleares, maior será a justificativa que o governo norte-coreano encontrará para manter e reforçar suas capacidades e endurecer sua postura em relação a Washington e a outros países considerados adversários.
“Firme é nossa convicção e nossa postura de que as armas nucleares são o componente fundamental da soberania nacional e a garantia mais confiável para a defesa dos direitos soberanos que ninguém pode violar. E quanto mais alto os EUA e seus aliados clamarem a favor da ‘desnuclearização’, mais se demonstrará a validade do acesso legítimo do nosso Estado às armas nucleares e se justificará seu reforço, bem como o endurecimento de nossa postura em relação aos EUA e aos inimigos”, concluiu.
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