Europa Press/Contacto/Kristina Solovyova
Manifestam preocupação com a militarização do Ártico e condenam qualquer “provocação” entre potências nucleares
MADRID, 20 maio (EUROPA PRESS) -
Os presidentes da Rússia e da China, Vladimir Putin e Xi Jinping, respectivamente, afirmaram nesta quarta-feira que o Oriente Médio e os países do Golfo Pérsico encontram-se em uma “encruzilhada crítica”, pelo que afirmaram que uma retomada dos ataques seria “inaceitável” e pediram às partes que “persistam nas negociações”.
Durante um encontro no Grande Salão do Povo, em Pequim, na capital chinesa, as partes enfatizaram a importância de pôr fim ao conflito e contribuir para reduzir os problemas na cadeia de abastecimento de energia, o que proporciona estabilidade nos mercados globais.
“As partes concordam que os ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã violam o Direito Internacional e as normas fundamentais das relações internacionais, além de comprometerem gravemente a estabilidade no Oriente Médio”, afirmaram em um comunicado.
Segundo o próprio Xi, que destacou as “boas relações” com Moscou, pôr fim ao conflito “ajudará a reduzir as tensões e as interrupções no abastecimento, ao mesmo tempo em que melhorará a ordem do comércio internacional”. É por isso que ele apresentou uma proposta de quatro pontos para pôr fim ao conflito na região — cujo último recrudescimento decorre da ofensiva lançada em fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã — e instou à construção de um “consenso”, segundo informações da agência de notícias Xinhua.
Assim, os dois líderes demonstraram, em uma declaração conjunta, sua “preocupação” com a militarização do Ártico “por parte dos Estados Unidos e seus aliados” e condenaram qualquer “provocação e ação hostil” entre potências nucleares. Putin e Xi aproveitaram a ocasião para criticar os Estados Unidos por promover a perda do “legado” do tratado de redução de armas estratégicas Novo START após seu vencimento.
Putin e Xi aproveitaram a ocasião para denunciar o “acúmulo” por parte do Japão de “materiais nucleares” sem que haja “confirmação verídica sobre seu suposto propósito civil”, pelo que solicitaram a Tóquio que “cumpra suas obrigações internacionais”.
“As partes estão seriamente preocupadas com esta questão, que se prolonga no tempo na ausência de informações verídicas sobre o possível uso desses materiais”, afirmaram, ao mesmo tempo em que se declararam “alertas” diante de “qualquer ambição inaceitável e possíveis medidas que constituam uma provocação por parte das forças de extrema direita que lideram o Japão”.
ALIANÇA ESTRATÉGICA
Além disso, os dois líderes concordaram em “reforçar a aliança tradicional que une suas forças armadas para aprofundar a confiança mútua na esfera militar, melhorar os mecanismos de cooperação, ampliar as manobras militares e as ações de patrulha, tanto marítimas quanto aéreas”, antes de se oporem a qualquer sanção imposta unilateralmente sem acordo prévio no seio do Conselho de Segurança da ONU.
Nesse sentido, defenderam uma melhor coordenação e interação em “formatos multilaterais e bilaterais”, conforme consta no texto, que visa enfrentar “as ameaças e os desafios” que se avizinham para “manter a segurança regional e global”.
Em relação à cooperação estratégica entre as partes, apostaram na expansão de sua cooperação estratégica “de acordo com o código de boa vizinhança” entre os dois países. Xi destacou que as partes assinaram, há já 25 anos, o Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amigável, que deu origem a uma aliança consistente.
Putin, por sua vez, enfatizou a importância do “papel estabilizador” dos dois países “no âmbito global”. “Estamos comprometidos com políticas externas independentes e autônomas, que operem no âmbito de nossa aliança estratégica e desempenhem um papel importante no cenário internacional”, explicou, segundo informações da agência de notícias russa Interfax.
“É precisamente esse o espírito que Moscou e Pequim defendem de forma unificada ao defender o Direito Internacional e a Carta das Nações Unidas em sua totalidade”, esclareceu.
O presidente russo afirmou, por sua vez, que “graças aos esforços conjuntos, as relações entre a Rússia e a China alcançaram um nível excepcionalmente alto”. “Os intercâmbios de alto nível são frequentes e a confiança política mútua é sólida. O comércio bilateral cresce de forma constante, a oferta e a demanda de energia se beneficiam mutuamente e a cooperação em transporte, logística, ciência e tecnologia está se aprofundando”, afirmou.
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