Publicado 07/09/2026 19:18

Puente questiona a imparcialidade da juíza que investiga a crise de Ceuta: “Isso denota um sentimento de desconfiança”

Archivo - Arquivo - O ministro dos Transportes, Óscar Puente, durante uma sessão plenária no Congresso dos Deputados, em 25 de junho de 2026, em Madri (Espanha). (Foto de arquivo).
Jesús Hellín - Europa Press - Arquivo

MADRID 8 set. (EUROPA PRESS) -

O ministro dos Transportes, Óscar Puente, questionou a “parcialidade” da juíza da Audiencia Nacional (AN) María Tardón e considerou “bastante estranho” que ela tenha solicitado à equipe de investigação da Polícia Nacional que não transmitisse aos comandantes policiais as conclusões do relatório sobre a entrada em massa de imigrantes em Ceuta, uma vez que se trata de “questões relativas à segurança nacional”.

“Para começar, isso denota um certo sentimento de desconfiança que, de alguma forma, estaria prejudicando a imparcialidade da juíza, pois não entendo muito bem por que a juíza teria que desconfiar”, declarou Puente em entrevista ao programa “Hora 25” da Cadena Ser, divulgada pela Europa Press.

Puente, que garantiu que “o desejo do governo” é o de “proteger o território espanhol”, também questionou o fato de o relatório policial ter sido divulgado publicamente “por meio de um veículo de comunicação muito conhecido por seu viés de direita”.

“O fato de, no fim das contas, a opinião pública ter acesso a esse relatório por esse meio, quando o Executivo não tinha conhecimento algum disso, bem, isso é realmente estranho”, continuou Puente, que comparou a situação ao caso de Álvaro García Ortiz, destituído e condenado “pela divulgação de um e-mail que não trazia nenhuma informação fundamental, nem para o país nem para qualquer bem digno de proteção especial”. “Isso cheira um pouco a queimado”, reforçou.

Assim, ele afirmou que Tardón é uma juíza “que vem do mundo político”, referindo-se ao seu papel como vereadora da Câmara Municipal de Madri durante uma gestão do PP. “Ela deu indícios de que sua imparcialidade pode ser questionada”, reiterou.

SEM EVIDÊNCIAS DE UMA OPERAÇÃO DO GOVERNO MARROQUINO

Por outro lado, ele afirmou não dispor das provas de que a juíza da AN dispõe. “Se tudo o que a juíza tem é o famoso relatório policial, no qual estão incluídas até mesmo algumas fotos que não têm nada a ver com Ceuta nem com suas proximidades, então não sei se essa é uma decisão muito acertada, mas, de qualquer forma, a juíza saberá com quais provas conta”, acrescentou.

Puente afirmou que estão circulando nas redes sociais vídeos nos quais se observa “certa negligência, por exemplo, da polícia marroquina”, mas também outros “bem identificados e com data definida” nos quais se constata “o contrário”.

“Até o momento, não dispomos de evidências que nos levem à conclusão de que se trata de uma operação organizada pelo governo marroquino, muito menos, e, portanto, não podemos agir como se essa fosse a hipótese comprovada”, concluiu.

Por fim, mostrou-se convencido de que a Polícia está investigando independentemente da AN e que “estará apresentando relatórios e disponibilizando os resultados dessa investigação aos seus comandantes e ao Ministério do Interior”.

A AN VÊ “PERMISSIVIDADE” E ATITUDE “FAVORECEDORA” POR PARTE DE MARROCOS

As declarações de Puente ocorrem depois que María Tardón decidiu assumir a investigação sobre a entrada em massa de imigrantes em Ceuta no final de julho, apontando para “permissividade” e “gestão favorecedora” por parte do território marroquino.

Em uma decisão judicial divulgada pela Europa Press, a juíza indica que se trata de “uma conduta criminosa supostamente cometida no exterior que atacou gravemente a ‘integridade territorial da Espanha’, garantida pelo artigo 2º da Constituição, utilizando para isso a entrada em massa em nosso país, aos quais se somaram fluxos migratórios irregulares que afetaram gravemente a vida e os direitos dos cidadãos de Ceuta”.

Ao mesmo tempo, ela aponta para “uma gestão clara e inquestionável que favoreceu o processo a partir do território do Reino de Marrocos”, que “se evidencia por meio do comportamento comprovado e graficamente contrastado das Forças de Segurança de Marrocos”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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