Rober Solsona - Europa Press
MADRID 31 ago. (EUROPA PRESS) -
O ministro dos Transportes e Mobilidade Sustentável, Óscar Puente, negou que haja uma “repreensão” ao rei Felipe VI nas palavras do presidente do Governo, Pedro Sánchez, sobre uma possível visita a Ceuta; destacando que, se houvesse, “seria dirigido àqueles que quiseram utilizar a figura do monarca em uma crise migratória”.
“Não sou do tipo que evita fazer repreensões à Casa Real quando considero que é necessário fazê-lo, mas acredito que, nas palavras do presidente do Governo, o que está implícito é uma repreensão àqueles que quiseram utilizar a figura do Rei para um debate político, aqueles que dizem que, se fossem presidentes, o Rei iria até lá”, afirmou Puente nesta segunda-feira em uma entrevista no programa “Malas lenguas”, do canal “La 2”, divulgada pela Europa Press.
Ele se pronunciou assim após as declarações feitas nesta manhã por Sánchez, nas quais este considerou que há “argumentos e razões suficientes” para que Felipe VI visite as cidades autônomas de Ceuta e Melilha, algo que ele não faz desde que subiu ao trono em 2014, e assegurou que “essa visita será realizada” quando houver condições para isso.
Diante disso, o ministro lembrou que “apenas três presidentes do Governo visitaram Ceuta em quase 50 anos de democracia”. “Adolfo Suárez, José Luis Rodríguez Zapatero e Pedro Sánchez”, enumerou ele, destacando que este último o fez “em cinco ocasiões”, enquanto, em suas palavras, os ex-presidentes José María Aznar e Mariano Rajoy “só foram durante a campanha eleitoral para realizar comícios e não em visita institucional”.
“Essa é a realidade: o rei da Espanha visitou Ceuta uma vez e o fez durante um governo socialista, com José Luis Rodríguez Zapatero, no ano de 2007”, acrescentou. Nesse sentido, questionado sobre por que não considera “oportuno” que Felipe VI visite Ceuta nos primeiros dias de agosto, após a chegada em massa de migrantes, Puente respondeu que, do lado do Executivo, não acreditam que haja “a situação em Ceuta para que o Rei faça uma visita”.
O ministro reiterou que, embora não saiba se as palavras de Sánchez “contenham alguma repreensão”, caso seja esse o caso, não tem “dúvida” de que “ela se dirige àqueles que quiseram utilizar a figura do monarca, mais uma vez, em uma crise política, migratória e humanitária como esta”.
Questionado também sobre se considera que há alguém interessado em politizar ou rotular politicamente o chefe de Estado, Puente admitiu que “esse risco sempre existe”, embora tenha ressaltado que acredita que, “em linhas gerais”, a Casa Real sabe distinguir “corretamente” o papel do monarca.
NÃO CONSIDERA “JUSTO” NEM “CONVENIENTE” ENTRAR EM CONFRONTO COM MARROCOS
Nesse sentido, ele assegurou que Marrocos “tem sido e é um parceiro muito confiável e necessário” e elogiou “a boa colaboração e relação” que existe com o país vizinho, descartando como “uma tese completamente descabida” a ideia de que a entrada em massa em Ceuta seja fruto de “uma operação orquestrada” pelo Marrocos.
“Sei que, para alguns, é muito lucrativo culpar e responsabilizar o Marrocos, mas essa não é a posição do governo. Se, neste momento, não entramos em confronto com o governo marroquino, não é porque não tenhamos autonomia, mas porque não acreditamos que seja justo nem conveniente”, argumentou, indicando que “o bem” para a Espanha “passa por boas relações” com o Marrocos.
Nesse sentido, defendeu que “a Europa deve contribuir para o desenvolvimento do Norte da África”, já que “essa é a melhor garantia para a proteção das fronteiras”: “Ceuta é uma das fronteiras mais sensíveis do mundo, pois a diferença entre a qualidade de vida daqueles que estão de um lado e daqueles que estão do outro é tão abismal que é lógico que haja pessoas que tentem, legitimamente, ter um futuro melhor, e isso só pode ser garantido por meio do desenvolvimento”.
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