Fernando Sánchez - Europa Press - Arquivo
MADRID, 25 abr. (EUROPA PRESS) -
O PSOE considera que é preciso tomar medidas para combater o aumento dos discursos “negacionistas, reacionários e revisionistas” do franquismo entre os jovens e propõe fazê-lo nas salas de aula, incorporando nos currículos “conteúdos que deem visibilidade às vítimas da perseguição e das políticas repressivas” da ditadura, com especial atenção à repressão contra as mulheres.
Em uma iniciativa que será debatida nesta quarta-feira na Comissão Constitucional do Congresso, os socialistas reconhecem que, enquanto “a extrema direita desenvolveu uma estratégia eficaz” de branqueamento da ditadura baseada em “boatos” e “mensagens falaciosas, mas impactantes”, os democratas não “ofereceram um discurso pedagógico que se conecte com os jovens”.
No texto, divulgado pela Europa Press, o PSOE faz referência à pesquisa do Centro de Investigações Sociológicas (CIS) realizada em janeiro passado, que revelou que 38% dos menores de 24 anos não se importariam de viver em um regime “pouco democrático” se isso lhes garantisse uma suposta “melhor qualidade de vida”.
É uma porcentagem que supera em dez pontos a média e que contrasta especialmente com o grupo das pessoas entre 55 e 64 anos, no qual apenas 22% concordam com essa afirmação, e um dado que confirma o declínio contínuo do apoio à democracia entre os mais jovens, pois se em 2017 o apoio dos menores de 24 anos era de 83%; em apenas sete anos (2024) esse apoio caiu para 76%.
Na opinião do PSOE, não fazer nada diante dessa situação, além de ser uma “irresponsabilidade”, seria “uma forma de cumplicidade com aqueles que negam a verdade histórica” e “desvirtuam aqueles que sofreram a repressão”. Por isso, defende que se combata esses discursos ensinando nas escolas e colégios que a ditadura franquista “submeteu à pobreza, à violência, à morte e à desolação a maioria da população espanhola”.
Nesse contexto, propõe intensificar os programas voltados para o conhecimento dos regimes totalitários e autoritários, com especial atenção às consequências de viver sob a ditadura franquista e às “diferentes formas de violência” exercidas durante o franquismo.
ENVOLVER PROFESSORES E FAMÍLIAS
Assim, aposta na visibilidade nas salas de aula das vítimas da repressão, com especial atenção àquelas sofridas pelas mulheres, bem como no reconhecimento de seu trabalho como “protagonistas” de uma “longa luta pela democracia”.
Paralelamente, os socialistas consideram necessário promover programas de formação de professores que, incluindo os conhecimentos atuais sobre o preocupante aumento da avaliação positiva do regime franquista, incidam em um ensino baseado na promoção dos valores democráticos e na defesa dos direitos humanos.
Solicitam também o impulso de ações de “sensibilização” dirigidas à comunidade educativa, incluindo equipes diretivas dos centros de ensino, docentes e famílias, e “acordar a cooperação técnica com as comunidades autônomas para a elaboração de todas essas ações”.
RETIRAR A POLÍCIA DA VIA LAYETANA
Na mesma sessão da Comissão Constitucional, na terça-feira será debatida uma proposta de lei do Sumar que insta o Governo a criar “um Espaço de Memória e Documentação Contra a Tortura e a Repressão Francoista aberto ao público” na delegacia da Polícia Nacional localizada no número 43 da Via Layetana, em Barcelona.
O grupo minoritário do Governo voltará a defender que os agentes que trabalham nesse local sejam transferidos para outro e que o que foi sede da Brigada Político-Social na capital catalã passe a ser utilizado apenas como centro memorialístico, onde seja exposta toda a documentação relativa aos “processos policiais, repressão política e tortura” realizados nessas instalações durante a ditadura.
Em seu texto, divulgado pela Europa Press, o Sumar lembra que o plenário da Câmara Municipal de Barcelona, o Parlamento catalão e até mesmo a Comissão de Assuntos Internos deste Congresso dos Deputados exigiram a realocação de todos os policiais para outras instalações.
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