MADRID, 10 jun. (EUROPA PRESS) -
O PSOE enfrentará nesta quarta-feira, na sessão plenária do Congresso, o debate sobre uma iniciativa de seus aliados parlamentares exigindo o fechamento do poligono militar de Tiro e Bombardeio de Las Bardenas, em Navarra.
Trata-se de uma iniciativa assinada pelo Sumar, o parceiro minoritário do governo, e pelos parceiros parlamentares do Bildu, PNV e Podemos, na qual exigem ao Ministério da Defesa o fechamento deste campo de tiro após 75 anos de atividade e que não renove o contrato de arrendamento quando este vencer, em 2028.
A iniciativa, divulgada pela Europa Press, solicita também ao Governo que revogue a declaração do campo de tiro como Zona de Interesse Preferencial para a Defesa, aprovada no ano 2000, e que negocie com o Executivo de Navarra e a Junta de Bardenas um plano de reconversão, impulso econômico e financiamento suficiente para a zona.
RESERVA DA BIOSFERA
Na exposição de motivos, os grupos signatários lembram que o poligono de tiro foi criado há 75 anos sob a ditadura de Franco e que a atividade militar condicionou gravemente o futuro da região e gerou uma “contradição insustentável”, uma vez que a instalação militar está situada em pleno coração do Parque Natural classificado como Reserva da Biosfera pela UNESCO desde o ano 2000.
Durante essas sete décadas, os mais de 2.200 hectares de terreno serviram como principal centro de treinamento com munição real para a Força Aérea Espanhola e as forças da OTAN, incluindo o lançamento de armamento a partir de aviões de combate.
Segundo os grupos proponentes, essa atividade é “frontalmente incompatível” com os valores de paz, sustentabilidade e proteção da biodiversidade “que definem a sociedade navarra”.
MAIS DE 70 ACIDENTES
O texto também cita os 70 acidentes ocorridos no polígono, entre eles mais de 30 registrados fora do perímetro, incluindo a queda de aviões e projéteis em zonas civis habitadas, “comprometendo a segurança da população”.
A isso se soma, segundo Sumar, Bildu, PNV e Podemos, uma constante poluição sonora causada pelo sobrevoo diário de caças a baixa altitude que quebram a barreira do som, bem como um grave impacto ambiental pelo uso de munição “que deteriora o solo e a fauna endêmica deste ecossistema”. Denunciam também uma “grave limitação socioeconômica que prejudica o desenvolvimento econômico e laboral” da região e de seus habitantes.
Os grupos signatários consideram que o término do atual contrato de arrendamento em 2028 entre o Ministério da Defesa e a Junta de Comunidades de Bardenas é uma “oportunidade histórica” para pôr fim à atividade militar do polígono e para oferecer uma alternativa de futuro por meio de um Plano de Reconversão Integral.
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