ZARAGOZA 27 ago. (EUROPA PRESS) -
A deputada socialista na Assembleia Legislativa de Aragão, Mónica Iglesias, criticou nesta quinta-feira a decisão do governo de Jorge Azcón de não comparecer à Conferência Setorial sobre Infância e Adolescência, dedicada à crise migratória em Ceuta, e alertou que “deixar a cadeira de Aragão vazia significa renunciar voluntariamente a defender os interesses dos aragoneses”.
Em entrevista coletiva, Iglesias destacou que “é possível discordar profundamente do Governo da Espanha, mas essas diferenças políticas não isentam o Executivo regional de cumprir suas responsabilidades institucionais”.
“É justamente quando há divergências que se torna mais necessário comparecer, defender a posição de Aragão e assumir a responsabilidade”, afirmou.
A deputada socialista considerou “especialmente significativo” que outras comunidades autônomas governadas pelo Partido Popular tenham comparecido à reunião, enquanto precisamente as três comunidades autônomas nas quais o Vox tem responsabilidades na área de imigração não o fizeram.
ESTRATÉGIA DO VOX
Em sua opinião, “esse fato evidencia que, por trás da ausência de Aragão, há uma estratégia política do Vox que está se impondo sobre a responsabilidade institucional do Governo regional”.
Por isso, Iglesias exigiu explicações diretamente de Jorge Azcón. O presidente aragonês, segundo ele, deve esclarecer por que seus colegas do Partido Popular em outras comunidades autônomas participam desses órgãos de coordenação, enquanto o governo que ele preside deixa a cadeira de Aragão vazia.
“É inaudito”, enfatizou. A deputada do PSOE ressaltou que não comparecer a essa reunião não significa dar um fora em Pedro Sánchez, mas “deixar Aragão sem representação em um órgão institucional”.
Quando os membros do governo autônomo participam desse tipo de reunião, ela lembrou, não representam o PP nem a Vox, mas sim o conjunto dos aragoneses.
COLABORAÇÃO ENTRE AS ADMINISTRAÇÕES
Iglesias deu ênfase especial à “necessidade de manter a colaboração entre as administrações, mesmo quando existem profundas divergências políticas” e relembrou o que aconteceu durante o incêndio em Riglos.
“Aragão precisou, naquela ocasião, da colaboração do Governo da Espanha, da Unidade Militar de Emergências e de todos os meios disponíveis para enfrentar uma situação de enorme gravidade”. Essa colaboração, destacou ele, “ocorreu como deve sempre acontecer entre administrações, independentemente da orientação política de cada governo”.
“O Executivo central atendeu às necessidades de Aragão e disponibilizou recursos à comunidade porque, diante de uma emergência, a obrigação institucional é colaborar”.
“Imaginem por um momento que, em plena emergência, o Governo central tivesse decidido não se reunir com Aragão, não atender aos seus pedidos ou não prestar ajuda por discordar politicamente do Executivo de Azcón. Isso nos teria parecido uma irresponsabilidade absoluta”, afirmou Iglesias.
A deputada socialista defendeu que “esse mesmo princípio de lealdade institucional deve funcionar sempre e nos dois sentidos. Não se pode exigir colaboração do Governo da Espanha quando Aragão precisa de recursos e, ao mesmo tempo, recusar-se depois a recorrer aos órgãos de coordenação por causa de uma divergência política. Iglesias insistiu que Jorge Azcón não pode se esconder atrás de seus parceiros do Vox”.
“Se ele concorda com essa decisão, deve dizer isso claramente e assumir a responsabilidade. E se não concorda, deve exercer suas funções como presidente de Aragão e garantir que seu governo cumpra as obrigações institucionais que lhe cabem”.
Iglesias lamentou que o governo de Azcón esteja há muito tempo mergulhado “em um confronto permanente” com o governo da Espanha e “transforme qualquer assunto em uma batalha política contra Pedro Sánchez, mesmo quando essa estratégia prejudica a capacidade de Aragão de negociar e defender seus interesses”.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático