Jesús Hellín - Europa Press
MADRID 26 ago. (EUROPA PRESS) -
O porta-voz do PSOE no Congresso, Patxi López, afirmou nesta quarta-feira que as duas versões apresentadas pelos ministros da Defesa e do Interior sobre a existência ou não de alertas prévios do CNI quanto à entrada em massa de milhares de migrantes em Ceuta “podem ser verdadeiras ao mesmo tempo”, ao considerar possível que os serviços de inteligência tenham alertado sobre movimentos de pessoas, mas não sobre a “dimensão extraordinária” que a onda de migrantes acabou por atingir.
Em uma coletiva de imprensa no Congresso durante a sessão da Deputação Permanente, López destacou que desconhece “os meandros” do ocorrido, mas observou que “certamente o Centro Nacional de Inteligência (CNI) alerta sobre a possibilidade de uma passagem de pessoas”, inclusive pelo mar, porque “parece que era isso que estava circulando nas redes sociais” dias antes da crise.
No entanto, acrescentou que “possivelmente” o CNI não alertou de que a entrada poderia atingir uma dimensão de até 70 mil pessoas. “Porque posso garantir que, se essa informação existisse, a previsão e os recursos que teriam sido mobilizados — tanto da polícia quanto da Guarda Civil e do próprio Exército — teriam sido infinitamente maiores do que os que foram mobilizados”, argumentou.
Diante da pergunta sobre se, caso a magnitude da invasão não tivesse sido detectada, seria necessário julgar a atuação dos serviços secretos, López não quis culpar ninguém e insistiu que desconhece o que aconteceu. “O que estou dizendo é que não sei”, ressaltou, antes de reiterar que poderia ter havido um alerta sobre movimentos nas redes sociais ou sobre pessoas que tentavam chegar a Ceuta por mar, mas que “talvez não tenha sido avaliado corretamente ou não houvesse informação sobre a dimensão extraordinária que isso teria”.
“FORNECEMOS TODAS AS INFORMAÇÕES EM TEMPO REAL”
Por outro lado, López negou que as explicações do governo tenham chegado tarde e destacou que o presidente comparecerá no dia 3 de setembro, que há audiências no Congresso nestes dias com nove ministros e que membros do Executivo têm estado presentes “permanentemente” em Ceuta. “Estamos recebendo todas as informações em tempo real”, defendeu.
Questionado sobre o adiantamento da audiência do presidente do Governo, inicialmente prevista para o dia 9, o porta-voz parlamentar confirmou que “havia grupos que achavam que era preciso adiantar e ela foi adiantada”, minimizando a importância da mudança de data.
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