GRANADA 21 ago. (EUROPA PRESS) -
A psicóloga do Grupo de Intervenção Psicológica em Emergências e Desastres (Giped) do Governo da Andaluzia, Fátima Zahra, aconselhou a população afetada pelos últimos tremores de terra em Granada a “não perder a rotina diária”, bem como “procurar distrações” para evitar sensações de estresse ou medo relacionadas aos terremotos.
Em declarações à Europa Press, Zahra, que coordena o plano de ação do Giped na província de Granada para atender às pessoas afetadas no aspecto psicológico, indicou que, embora seja necessário “compreender as sensações de cada pessoa”, em momentos de tremores, “não se deve pular refeições nem descuidar da higiene”.
Assim, a psicóloga enfatizou a importância de “manter a calma” e buscar apoio em “redes familiares e de amigos” com o objetivo de “desviar a atenção do que aconteceu”. De fato, ela também reconheceu que é positivo “evitar a exposição à televisão, às redes sociais e às informações constantes” sobre os terremotos, pois, em alguns casos, “elas geram situações de ansiedade e tensão”.
Da mesma forma, ela pediu para “validar as emoções que cada pessoa possa sentir” por causa do terremoto, já que “nem todos vivem isso da mesma maneira”; por isso, é necessário “expressar como cada um se sente” nesse tipo de situação em que “é normal que surjam medo e incerteza”.
Dessa forma, Zahra explicou que o Giped, em coordenação com o Colégio Oficial de Psicologia da Andaluzia Oriental (Copao) e o 112, procura ajudar a população por meio de um serviço telefônico disponibilizado pela Junta e que, segundo as últimas estimativas, recebeu mais de 150 ligações nos últimos dias.
“EXPLICAM-SE À POPULAÇÃO ALGUMAS TÉCNICAS DE RELAXAMENTO”
“As pessoas ainda estão com muito medo”, disse a psicóloga a esse respeito, garantindo que grande parte das ligações busca orientação dos profissionais para saber o que fazer após os terremotos. “O objetivo é ajudá-las a recuperar a calma; por isso, explicam-se à população algumas técnicas de relaxamento”, mencionou ela.
Além disso, tentam explicar aos cidadãos como funciona o sistema nervoso para que compreendam por que, às vezes, ficam mais agitados e ansiosos com os movimentos sísmicos, sustentou Zahra. Também transmitem as medidas recomendadas que outras autoridades publicaram para o caso de ocorrerem tremores e réplicas.
O importante, segundo a especialista, é que “são situações que não podemos controlar nem prever”, por isso o fundamental é “saber como agir corretamente”. Por isso, como ela admitiu, “mesmo algum tempo depois do terremoto, ainda há pessoas ligando para pedir orientações caso haja uma repetição”.
Nesse sentido, ela destacou que o número de telefone disponibilizado recebeu várias ligações de famílias preocupadas com o estado psicológico de seus filhos, que percebem como “mais nervosos diante da situação”, algo que a psicóloga atribui à própria atitude dos pais, “que agiram de maneira mais serena”.
Além disso, Zahra observou que o terremoto ocorrido em Granada em 2021 reacendeu a “síndrome de estresse pós-traumático” que “algumas pessoas afetadas desenvolveram devido àquela situação” e que pode ter se agravado devido aos grandes tremores sísmicos ocorridos este ano na Venezuela e na Colômbia, servindo como “experiências anteriores que colocam a população em alerta”.
O serviço de atendimento psicológico oferecido pelo Giped é prestado por meio do número gratuito 900 102 513 e atende a população 24 horas por dia, conforme afirmou Zahra. “Atualmente, formamos uma equipe de quatro profissionais de psicologia de emergência dispostas a ajudar a população em três turnos distribuídos entre manhã, tarde e noite”, afirmou ela a esse respeito.
Nesse contexto, o atendimento ocorre no âmbito do acordo de colaboração firmado entre a Agência de Emergências da Andaluzia e o Copao, especialmente em casos de crise de ansiedade, medo persistente ou situações de maior vulnerabilidade provocadas pelo terremoto e suas réplicas.
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