Publicado 11/05/2026 10:13

O próximo governo húngaro estabelecerá relações com a Rússia com base em "interesses mútuos"

4 de maio de 2026, Hungria, Budapeste: O ministro da Economia e Energia, Istvan Kapitany, a ministra das Relações Exteriores, Anita Orban, e o ministro da Saúde, Zsolt Hegedus, aplaudem antes da cerimônia de posse, após o Partido Tisza ter conquistado 141
Marton Monus/-/dpa

MADRID 11 maio (EUROPA PRESS) -

A futura ministra das Relações Exteriores da Hungria, Anita Orbán, afirmou nesta segunda-feira que a futura relação com o governo russo “não pode se basear na dependência unilateral” que tem caracterizado os últimos anos, mas sim em “interesses mútuos” que se empenharão em estabelecer.

“A Rússia continua sendo um parceiro importante devido ao seu papel regional, mas a relação com ela não pode basear-se na dependência unilateral”, afirmou Orbán durante sua audiência perante a Comissão de Assuntos Europeus, no Parlamento húngaro, poucos dias antes da posse do novo governo de Péter Magyar.

“No que diz respeito à Rússia, a Hungria se empenhará em estabelecer um sistema transparente de relações entre dois Estados soberanos, baseado em interesses mútuos”, explicou Orbán, segundo o jornal húngaro ‘Magyar Hirlap’.

NOVA POSIÇÃO EUROPEIA

Assim, ele destacou que a primeira tarefa do novo gabinete será restabelecer a confiança na política externa e reconstruir a posição da Hungria na UE, marcada nos últimos anos pela constante oposição do ex-primeiro-ministro Viktor Orbán a certas políticas de Bruxelas, sobretudo no que diz respeito à Ucrânia.

Nesse sentido, Orbán destacou que recuperar os fundos da UE “é uma prioridade absoluta” e lamentou que o uso do veto tenha sido muito recorrente naqueles anos, garantindo que o novo governo só recorrerá a ele quando os interesses do país estiverem realmente em jogo.

“Podemos defender com maior eficácia nossos valores e interesses nacionais preservando nossa soberania na cooperação europeia”, afirmou a futura ministra das Relações Exteriores, que lembrou que os húngaros apostaram nessas eleições “na Europa em vez de uma política externa voltada para o leste”.

“A Hungria coloca a Europa no centro e defende seus interesses dentro do sistema de alianças ocidentais”, destacou perante a comissão, à qual sinalizou que não se trata de “frustrar os aliados nem questionar valores comuns”, mas sim de “diversificar” as relações e manter “uma cooperação previsível”.

Em um cenário internacional em constante mudança, Orbán considera fundamental “uma Europa mais forte”, capaz de se coordenar melhor com os Estados Unidos. “Manter sistemas de alianças estáveis é uma prioridade absoluta para a Hungria”, afirmou.

ALIANÇAS REGIONAIS

Por outro lado, ele também estabeleceu como um dos pilares básicos da nova política externa o fortalecimento das relações com o Grupo de Visegrado, uma aliança regional formada pela Eslováquia, Hungria, Polônia e República Tcheca desde 1991, e que passou por diferentes fases nos últimos anos.

A invasão russa da Ucrânia em 2022 evidenciou as maiores discrepâncias entre seus membros, especialmente devido à postura adotada pela Hungria de Viktor Orbán, reforçada pela vitória eleitoral de Robert Fico na Eslováquia em 2023.

Nesse caso, Orbán apostou na normalização das relações com a Polônia e, como prova disso, o futuro primeiro-ministro Péter Magyar realizará sua primeira viagem oficial a Varsóvia na próxima semana.

No entanto, a relação com a Eslováquia continua em impasse, depois que o governo de Fico aprovou uma legislação que coloca em risco os direitos da minoria húngara, seguindo a estela dos controversos Decretos de Benes.

"Não é possível estreitar as relações com um país onde a minoria húngara é julgada por culpa coletiva. Isso não apenas impede boas relações de vizinhança, mas também contraria totalmente o direito e os valores da UE, bem como os direitos humanos universais fundamentais”, advertiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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