Publicado 01/06/2026 06:01

O Provedor de Justiça e a Conferência Episcopal da Bolívia apelam ao diálogo diante da crise social no país

Archivo - Arquivo - 19 de março de 2025, La Paz, Bolívia: Motoristas e agricultores marcharam para exigir soluções para a escassez de combustível na Bolívia. Os Ponchos Rojos são um grupo de indígenas bolivianos responsáveis pela implementação das polític
Europa Press/Contacto/Diego Rosales - Arquivo

MADRID 1 jun. (EUROPA PRESS) -

O Provedor de Justiça e a Conferência Episcopal da Bolívia apelaram nesta segunda-feira ao diálogo entre o governo e os movimentos sociais diante da crise social no país, onde os intensos protestos das últimas semanas resultaram em bloqueios de estradas que dificultaram o abastecimento de alimentos, combustível e suprimentos médicos para La Paz e a cidade vizinha de El Alto.

"Reafirmamos claramente que o diálogo sincero, empático e construtivo constitui a única via legítima e eficaz para a resolução dos problemas que nos afligem. O verdadeiro entendimento democrático nasce da escuta das necessidades mútuas, permitindo alcançar acordos sustentáveis que preservem o tecido social e garantam a convivência pacífica de todos”, afirmaram em uma mensagem dirigida às “autoridades políticas, setores mobilizados, líderes sociais e a toda a população boliviana”.

Diante do endurecimento das posições, o Defensor do Povo e a Conferência Episcopal apelam para que se “abandonem as posições intransigentes” e se “reconsidere as posturas que rejeitam ou protelam a aproximação a uma mesa de diálogo”.

"Fechar-se à concertação apenas aprofunda o sofrimento da população, desgasta a paz social e adia as soluções urgentes que a cidadania exige e merece com toda a razão. A verdadeira coragem reside na capacidade de ceder pelo bem comum”, sublinharam em seu comunicado conjunto.

Da mesma forma, denunciaram o uso da força, da coação ou de qualquer manifestação de violência, sinalizando que “isso jamais será um mecanismo propício a soluções reais”, “mas sim um detonador de maior rancor, ódio e divisão”.

É por isso que criticaram a repressão e os confrontos, insistindo que “não constroem pontes, mas sim muros, e colocam em risco o direito fundamental à vida e à integridade das pessoas”, que pedem para defender e proteger.

“A violência só gera mais violência e as feridas sociais que estão se abrindo levarão décadas para sarar. É hora de substituir a ofensa pela proposta, as pedras pela palavra e os bloqueios pelo entendimento", afirmaram, insistindo em sua disposição de desempenhar um papel para "facilitar e acompanhar os espaços necessários que permitam o reencontro, a calma e o entendimento entre bolivianos".

“Neste momento, a Bolívia e seu povo exigem de seus governantes e dos setores mobilizados a maturidade e a sensibilidade necessárias para deixar de lado interesses particulares em favor do bem comum”, conclui o texto.

O Executivo de Rodrigo Paz tenta contornar a crise por meio da abertura de canais de negociação com os setores mobilizados, enquanto as forças de segurança continuam agindo para desobstruir algumas vias, recorrendo, em determinados casos, ao uso de gás lacrimogêneo.

Por enquanto, as autoridades bolivianas negaram que as recentes mudanças em seu seio, diante do descontentamento popular, respondam a uma crise interna e defenderam que se trata de uma reorganização pontual decidida pelo presidente, que ordenou a redução pela metade de seu salário, bem como o dos membros de seu Gabinete, em meio à onda de bloqueios de estradas por parte dos sindicalistas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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