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MADRID 8 set. (EUROPA PRESS) -
O procurador-geral da Ucrânia, Ruslan Kravchenko, apresentou na noite desta segunda-feira sua renúncia, horas depois de afirmar que não o faria, no que descreveu como “uma decisão política” tomada para que seu cargo não fosse utilizado “como ferramenta de confronto político”, em meio a uma investigação das autoridades anticorrupção sobre uma rede dentro do Ministério Público que recebia subornos de forma sistemática de centrais de atendimento fraudulentas e lavava os recursos obtidos.
“Apresentei minha renúncia ao cargo de procurador-geral”, assim começa o comunicado divulgado nas redes sociais pelo próprio Kravchenko, que fez questão de ressaltar que “trata-se de uma decisão política” tomada “de forma consciente”.
A mensagem inclui um agradecimento aos seus colegas “que realizam seu trabalho com honestidade”, “que apresentam as acusações perante os tribunais, trabalham com as vítimas, documentam os crimes russos e defendem os interesses do Estado”. “O trabalho de vocês não deve ser menosprezado de forma alguma”.
Sua decisão representa uma reviravolta notável em relação ao que ele mesmo declarou na manhã desta segunda-feira à imprensa, à qual esclareceu que “nunca” se agarraria ao cargo, mas que não havia tomado “nenhuma decisão” quanto à possibilidade de renunciar e que a decisão sobre sua hipotética saída caberia ao presidente do país, Volodimir Zelenski, ou ao Parlamento — autoridades às quais ele se dirigiu ao anunciar sua renúncia: “Peço que aceitem minha renúncia”.
A controvérsia que o envolveu tem origem na chamada Operação ‘Cartago’, liderada pela Procuradoria Especializada Anticorrupção da Ucrânia (SAPO, na sigla em ucraniano) e pelo Escritório Nacional Anticorrupção (NABU).
No âmbito dessa operação, ambas as autoridades anunciaram na última sexta-feira que haviam desmantelado uma organização criminosa liderada pelo chefe de uma das divisões da Procuradoria-Geral, que supostamente recebia subornos de forma sistemática de centrais de atendimento fraudulentas e lavava os recursos obtidos.
De acordo com a investigação, um funcionário da Procuradoria-Geral criou o grupo em meados de 2025, com a participação de promotores em exercício e alguns aliados. Os membros da quadrilha utilizavam métodos de extorsão para permitir o funcionamento irrestrito de centrais de atendimento clandestinas, que fraudaram em grande escala cidadãos ucranianos e estrangeiros, segundo a NABU.
Em 6 de setembro, a Suprema Corte da Ucrânia determinou uma medida cautelar de prisão preventiva com fiança no valor de 120 milhões de grivnas (cerca de 2,32 milhões de euros) para o subdiretor do Departamento de Cooperação Internacional, Serhi Kropiva, acusado de encobrir as atividades dos call centers fraudulentos.
Sobre o assunto, o próprio Kravchenko se pronunciou horas depois, afirmando não ter qualquer relação com o encobrimento desses centros e anunciando que havia suspendido de suas funções um funcionário do Ministério Público envolvido na investigação da NABU e que havia ordenado a elaboração de uma resolução para sua demissão. Além disso, ele ordenou uma revisão de vários departamentos ligados ao caso e a realização de testes de polígrafo em todos os funcionários das unidades relacionadas à operação “Cartago”.
Agora, apesar de ter mudado de ideia quanto à decisão de renunciar, o procurador-geral reafirmou que sua “posição em relação às acusações continua a mesma”, horas depois de enfatizar que rejeita “a acusação de ter estado envolvido no recebimento de fundos de centrais de atendimento ilegais”.
“Não quero que o cargo de procurador-geral seja usado como ferramenta de confronto político”, indicou ele a título de explicação.
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