MADRID, 29 jul. (EUROPA PRESS) -
O ex-diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas, Anthony Fauci, que liderou a gestão da pandemia da COVID-19 nos Estados Unidos, recusou-se nesta quarta-feira a responder às perguntas feitas por senadores em uma comissão sobre as origens do vírus, alegando perseguição por parte de seu presidente, o republicano Rand Paul.
Paul intimou formalmente Fauci a depor após acusá-lo de mentir sobre as origens do coronavírus, no contexto da posição defendida pelo governo Trump de que a COVID-19 teria se originado a partir de um vazamento de laboratório na cidade chinesa de Wuhan.
O senador republicano divulgou, nos últimos meses, uma série de agendas que Fauci utilizava durante seu mandato à frente do Instituto, páginas nas quais havia anotações sobre a propagação do vírus ou encontros com diversas personalidades.
“Dada a evidente obsessão do senador Paul em pedir meu julgamento, seus repetidos comentários difamatórios a meu respeito e, recentemente, a divulgação pública do meu diário pessoal sem censura, com o objetivo de me envergonhar e intimidar, a única conclusão a que posso chegar é que a única razão pela qual ele me convoca perante esta comissão é para me fazer dizer algo, qualquer coisa, que possa respaldar suas repetidas promessas públicas de que eu acabe, em suas palavras, ‘atrás das grades’”, afirmou Fauci.
Nesse sentido, ele destacou que, “embora lhe custe fazê-lo, dado o respeito” que nutre pelo Poder Legislativo e sua “longa trajetória de colaboração com o Congresso”, não responderá às perguntas dos senadores. “Seguindo o conselho do meu advogado, recuso-me respeitosamente a responder, invocando meus direitos previstos na Quinta Emenda da Constituição”, afirmou.
Fauci, a figura mais conhecida da pandemia nos Estados Unidos, compareceu ao Congresso mais de 250 vezes e esta é a primeira vez que invoca a Quinta Emenda, que permite que qualquer pessoa se recuse a responder a perguntas ou a testemunhar, conforme informou a rede CNN.
O cientista foi perdoado pelo ex-presidente Joe Biden pouco antes de deixar o cargo para evitar futuras investigações contra ele no âmbito das teorias da conspiração defendidas pelo presidente Donald Trump sobre a origem da COVID-19, chegando a classificá-la como “vírus da China”, em alusão à sua possível origem em um laboratório em Wuhan.
Paul tem criticado Fauci repetidamente nos últimos anos, chegando a acusá-lo de instruir a equipe do Instituto a se comunicar por canais privados para evitar registros públicos sobre o manejo do vírus, alegação que o cientista sempre negou, classificando as acusações contra ele como uma “cruzada”.
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