Publicado 24/08/2025 16:31

A principal instituição sunita do mundo condena a moção aprovada em Jumilla para proibir eventos religiosos

A Al Ahzar agradece a rejeição da moção pela Conferência dos Bispos e pelo governo

Archivo - CAIRO, 10 de outubro de 2024 -- Pessoas visitam a Mesquita Al-Azhar no Cairo Histórico, Egito, em 10 de outubro de 2024. Fundado no século X, o Cairo Histórico é uma das cidades islâmicas mais antigas do mundo, com muitas mesquitas renomadas, me
Europa Press/Contacto/Sui Xiankai - Arquivo

MADRID, 24 ago. (EUROPA PRESS) -

O Observatório de Combate ao Extremismo da Universidade Al Azhar, no Cairo, a principal referência mundial para o estudo do ramo sunita da religião muçulmana, condenou a moção aprovada pelo Conselho Municipal de Jumilla, em Múrcia, que proíbe a realização de eventos religiosos em instalações esportivas municipais.

O Observatório denunciou a "decisão injusta de proibir os muçulmanos de realizar seus ritos e celebrações religiosas em espaços públicos", uma medida "populista" que culpou a "aliança entre o Vox e o Partido Popular". "A demagogia da extrema direita, que tenta ajustar a nação ao seu próprio molde e reduzir sua identidade a uma única cor, um único idioma e uma única religião", argumentou.

A iniciativa é "excludente" e "ameaça perturbar a convivência social", disse o Observatório, que destacou a resposta rápida de instituições como o governo e a Conferência Episcopal, o mais alto órgão católico da Espanha, que "defendeu os muçulmanos" contra essa "discriminação inaceitável".

"O que parecia ser uma vitória silenciosa para os movimentos extremistas se transformou rapidamente em um revés moral para essas forças", ressaltou a organização islâmica.

A organização também denunciou as tentativas da prefeita de Jumilla, Severa González López, de "suavizar" a medida, oferecendo alternativas para o culto e "insistindo que a proibição não tinha motivação religiosa". "O fato de ela ter reconhecido abertamente que a proposta inicial da Vox era inconstitucional mostra que houve uma tentativa premeditada de reprimir os muçulmanos sob o pretexto de preservar a identidade nacional", argumentou em referência à moção inicial da Vox, que mencionava expressamente o culto muçulmano.

De qualquer forma, o Observatório emitiu um "alerta" porque o que aconteceu "reflete uma tendência preocupante que existe em toda a Europa" em referência a "uma onda crescente de ódio e discriminação contra os muçulmanos".

"Não se trata de uma mera disputa administrativa sobre o uso do espaço público, mas da manifestação de um conflito entre dois pontos de vista: um que acredita no pluralismo como um valor civilizatório, no respeito aos direitos humanos independentemente de religião ou origem, e outro ponto de vista, um ponto de vista extremista que vê a diferença como uma ameaça e a diversidade como um perigo que deve ser erradicado", afirmou.

Nessa situação, "a epopeia da solidariedade humana e moral foi forjada com a Igreja espanhola na vanguarda e com o governo, os intelectuais e as vozes do povo em geral". "A Europa precisa desesperadamente dessas posições que restauram o respeito pelos valores da justiça e da liberdade e oferecem esperança aos milhões de muçulmanos que vivem neste continente, que contribuem para seu renascimento e que só querem ser tratados como cidadãos plenos", argumentou.

Para o Observatório, esse épico "é um farol que ilumina o caminho e nos lembra que a consciência humana ainda está viva e que a justiça é invencível se houver corações livres e mentes esclarecidas para apoiá-la", conclui.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado