Europa Press/Contacto/Bilal Jawich
MADRID 26 mar. (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, alertou para o “risco de anexação” que o sul do país enfrenta por parte de Israel, durante uma conversa telefônica que manteve nesta quinta-feira com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
O chefe do Executivo referiu-se assim às “repetidas ameaças dos responsáveis israelenses de ocupar e, potencialmente, anexar a zona ao sul do Litani”, denunciando que Israel tenha procedido à destruição da “maioria” das pontes que conectam as comunidades de um lado do rio com o resto do território libanês.
“Essas ações e declarações, sob qualquer denominação, seja cinturão de segurança ou zona tampão, constituem uma questão muito grave que ameaça a soberania do Líbano, a integridade de seu território e os direitos de seu povo, e estão em total contradição com o Direito Internacional, o Direito Internacional Humanitário e a Carta das Nações Unidas", transmitiu a Guterres, segundo um comunicado divulgado pela agência de notícias libanesa NNA.
O ex-juiz e presidente da Corte Internacional de Justiça (CIJ) denunciou igualmente “as operações de deslocamento em massa (...) ao sul do Litani, acompanhadas pela invasão diária de terras, pela demolição de residências e, em algumas ocasiões, pela sua destruição total com escavadeiras, o que sugere que os civis não terão permissão para retornar às suas casas em curto prazo”.
O ministro da Informação do Líbano, Paul Morcos, informou nesta mesma quinta-feira que as autoridades decidiram “recorrer imediatamente” ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para conter a “ameaça” que representa a ofensiva de Israel contra a “soberania” libanesa.
Mais de 1.100 pessoas morreram e pelo menos 3.200 ficaram feridas devido aos ataques do Exército de Israel ao Líbano desde o último dia 2 de março, data em que o partido-milícia xiita Hezbollah retomou seus ataques contra território israelense, em resposta à ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. A isso somam-se mais de um milhão de pessoas que foram obrigadas a abandonar suas casas pela mesma causa.
Apesar da atual escalada, o Exército israelense já havia lançado, nos últimos meses, dezenas de bombardeios contra o Líbano, apesar do cessar-fogo alcançado em novembro de 2024. Israel tem argumentado, durante todo esse tempo, que age contra o Hezbollah e assegurado que, por isso, não viola o acordo, embora tanto as autoridades libanesas quanto o grupo tenham se mostrado críticos em relação a essas ações, igualmente condenadas pela Organização das Nações Unidas.
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