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MADRID 23 abr. (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro do Peru, Luis Enrique Arroyo Sánchez, apoiou o contrato de aquisição de caças F-16 para a Força Aérea, depois que o presidente, José María Balcázar, decidiu suspender a compra, o que motivou a renúncia dos ministros da Defesa e das Relações Exteriores e a enésima crise política, com a primeira proposta de moção de censura já em tramitação.
“O processo de contratação para a aquisição de caças F-16 (...) obedece a compromissos pré-estabelecidos que dizem respeito à defesa nacional e que exigem o respeito à figura presidencial, que além disso é o chefe supremo das Forças Armadas”, afirmou Arroyo em um comunicado.
Arroyo enfatizou que cabe ao Governo “cumprir e fazer cumprir os acordos” e ressaltou que, caso não cumpra o acordado, o país enfrenta não apenas “penalidades onerosas”, mas também o prejuízo à sua própria imagem.
Além disso, o primeiro-ministro peruano destacou que essa compra é “importante”, pois vem fortalecer e renovar a frota aérea das Forças Armadas. “Esta decisão é de natureza estratégica”, disse ele.
A compra de cerca de vinte aeronaves F-16 da empresa norte-americana Lockheed Martin gerou uma nova crise política no Peru, num momento em que as instituições voltaram a ser questionadas pela opinião pública devido à incerteza dos resultados do primeiro turno das eleições.
A polêmica surgiu quando o presidente Balcázar afirmou que a compra não seria realizada, deixando a decisão a cargo do novo governo que surgiria após o segundo turno, em 7 de junho. Isso motivou as demissões dos ministros da Defesa, Carlos Díaz, e das Relações Exteriores, Hugo de Zela Martínes.
No entanto, conforme confirmado nas últimas horas pelo Ministério da Economia, já foi efetuado o primeiro pagamento de 462 milhões de dólares (cerca de 395 milhões de euros) por essa dezena de caças, que deveriam chegar ao Peru entre 2029 e 2030, segundo afirmou o embaixador dos Estados Unidos no Peru, Bernie Navarro.
CRISE INTERNA E PRIMEIRA PROPOSTA DE MOÇÃO DE CENSURA
Esse desacordo provocou novas tensões internas no gabinete, que já teve dois primeiros-ministros em apenas dois meses e cuja formação já havia sido marcada pela decisão de última hora de Balcázar de colocar Denisse Miralles à frente do gabinete, após ter anunciado anteriormente Hernando de Soto.
A oposição não deixou passar o ocorrido e, da bancada do Partido Ação Popular, já foi proposta a apresentação de uma moção de censura contra o presidente peruano. “A segurança nacional foi gravemente colocada em risco”, avaliou seu proponente, o terceiro vice-presidente do Congresso, Ilich López.
“Claramente, aqui ele não está tomando as decisões, muito menos as corretas (...) O presidente Balcázar tem que explicar muitas coisas ao país; tem que dizer quem o está assessorando e que tipo de decisões estão sendo tomadas, porque essas posições erráticas geram mais incerteza”, disse López.
López confirmou que já se começou a coletar as 33 assinaturas necessárias para debater a moção de censura. “Já há vários que assinaram”, afirmou.
No entanto, nem todos na oposição se mostraram a favor disso. A vencedora do primeiro turno das eleições, a líder da Fuerza Popular, Keiko Fujimori, acredita que “uma moção de censura alimentaria ainda mais a instabilidade” e que é hora de “acalmar os ânimos” em toda essa questão.
Embora tenha dado a entender que a postura de Balcázar seria motivada por pressões de seu entorno. “Ele deveria refletir sobre o que significam esses compromissos e a importância de suas declarações”, repreendeu.
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