MADRID 14 fev. (EUROPA PRESS) - O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, rejeitou o discurso sobre a ameaça russa e chinesa no Ártico e alertou que a única ameaça que a população sentiu foi a de um aliado, em referência aos Estados Unidos.
“Os groenlandeses não sentiram a ameaça da Rússia ou da China. A primeira vez que nos sentimos ameaçados foi quando um aliado nos ameaçou com a conquista”, declarou Nielsen durante sua intervenção na Conferência de Segurança de Munique. “É um paradoxo”, acrescentou.
Para o líder groenlandês, as últimas manobras militares de países europeus aliados, como os testes Resistência Ártica ou Sentinela Ártica, foram de grande ajuda, e ele as classificou como “um passo na direção certa”. “Nunca discordamos que precisamos de mais segurança no Ártico”, destacou.
Junto com Nielsen, também esteve presente no evento em Munique a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que alertou que os Estados Unidos mantêm sua pressão sobre a Dinamarca, que exerce soberania sobre a Groenlândia, o que para a líder é “inaceitável”.
Frederiksen lembrou que existe um acordo bilateral em vigor com os Estados Unidos que permite a Washington ter uma “forte presença” na ilha. “Sempre fomos um parceiro muito forte e confiável”, enfatizou. Agora, indicou, estão trabalhando em uma equipe de negociações, mas sempre com “linhas vermelhas claras”.
Em janeiro passado, após repetidas ameaças de anexar a ilha, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que havia estabelecido, juntamente com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, o “marco para um futuro acordo” em relação à Groenlândia e anunciou a retirada das tarifas anunciadas para vários países europeus.
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