SIERAKOWSKI FREDERIC / EU COUNCIL
BRUXELAS 4 abr. (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro belga Bart de Wever, um nacionalista flamengo, provocou polêmica entre seus parceiros de coalizão e a oposição depois de declarar que não acredita que a Bélgica ou qualquer outro país da UE tomaria a medida de prender o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu se ele entrasse em seu território, apesar do mandado de prisão internacional emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).
Em uma entrevista na emissora pública flamenga VRT na noite de quinta-feira, De Wever apelou para a "realpolitik" para justificar o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, que esta semana recebeu em Budapeste o israelense, que está sob mandado de prisão por supostos crimes de guerra na Faixa de Gaza.
"Para ser sincero, acho que nós também não o faríamos", disse o primeiro-ministro belga, que também questionou se algum outro estado-membro tomaria a medida de prender Netanyahu caso ele se mudasse para outro país da UE, embora tenha se distanciado da decisão do governo húngaro de romper com o TPI e tenha dito que não prevê a retirada da Bélgica da convenção internacional.
As declarações do líder da Nova Aliança Flamenga (N-VA) também marcam uma mudança em relação à posição do governo belga anterior, cujo primeiro-ministro liberal flamengo, Alexander de Croo, disse em novembro que, se Netanyahu viajasse para a Bélgica, o país "assumiria suas responsabilidades" e ele seria preso.
De acordo com o jornal 'De Standaard', a mudança de posição não foi discutida dentro da coalizão do governo, e fontes do Ministério das Relações Exteriores citadas pelo jornal apontam que uma possível prisão "não é uma decisão política, mas legal". As fontes apontam que os membros da coalizão pedirão explicações a De Wever na reunião do Executivo na sexta-feira.
O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores, o democrata-cristão de língua francesa Maxime Prévot, disse em uma declaração na mídia social na quinta-feira que "lamenta profundamente" a saída da Hungria do Estatuto de Roma, deixando claro que "o TPI sempre pode contar com o apoio da Bélgica".
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