Publicado 08/08/2025 16:05

O presidente de Portugal veta a reforma da imigração que restringe a reunificação familiar

Archivo - El presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa
Xun Wei / Xinhua News / ContactoPhoto - Arquivo

MADRID 8 ago. (EUROPA PRESS) -

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, vetou nesta sexta-feira a reforma da imigração promovida pelo governo, que endurece os requisitos para o reagrupamento familiar e as autorizações de residência para cidadãos lusófonos, depois que o Tribunal Constitucional declarou que várias das disposições são inconstitucionais.

"Na sequência do acórdão de hoje do Tribunal Constitucional, que declarou inconstitucionais cinco disposições que tinham sido objeto de controle constitucional preventivo, o presidente devolverá à Assembleia, sem promulgação (...), o decreto (...) sobre o regime jurídico de entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros do território nacional", lê-se num breve comunicado do gabinete de Rebelo de Sousa publicado no seu site.

Minutos antes, o tribunal havia rejeitado as disposições relacionadas ao reagrupamento familiar, especificamente a que estabelece que cidadãos estrangeiros com autorização de residência e que residam legalmente no país têm direito ao reagrupamento apenas com familiares menores de idade, desde que tenham entrado legalmente em Portugal e estejam residindo no país.

O presidente do Tribunal Constitucional, José João Abrantes, destacou que essa regra, "ao não incluir o cônjuge ou pessoa equiparada, pode forçar a desintegração familiar" e levar "à separação dos familiares do cidadão estrangeiro", o que constitui uma violação dos direitos constitucionais, segundo a agência de notícias Lusa.

Também declarou inconstitucional outra parte do projeto de lei, que estipula que, para solicitar a reunificação dos membros da família que vivem no exterior, o cidadão deve ter residido legalmente no país por pelo menos dois anos. "A imposição de um limite de tempo (...) é incompatível com a proteção constitucional devida à família", afirmou.

No entanto, ele declarou constitucional a disposição que estabelece que certas autorizações de residência, seja para ensino, investimento ou atividades culturais, têm direito à reunificação familiar, mesmo que não sejam menores de idade. Assim, explicou que "não é desproporcional nem discriminatório", já que ninguém pode ser beneficiado ou prejudicado por nenhum direito em função de sexo, raça, religião, convicções ideológicas, posição econômica, etc.

Após a decisão, o Partido Social Democrata (PSD) do governo disse que analisaria a decisão para adequar a lei às exigências do Tribunal Constitucional, enquanto o presidente do Chega, de extrema direita, André Ventura, disse que a decisão do tribunal "não é compreensível" e reflete que "um espírito de esquerda tomou conta das instituições". Em contrapartida, os socialistas (PS) argumentaram que a decisão restabelece o "bom senso".

A decisão do Tribunal Constitucional foi tomada depois que o chefe de Estado, no final de julho, submeteu sete das disposições da reforma imigratória a um controle preventivo urgente de constitucionalidade, considerando que elas "parecem restringir de forma desproporcional e desigual o princípio da unidade familiar e podem não proteger os melhores interesses dos menores, que são forçados a enfrentar separações prolongadas".

A reforma chegou à mesa de Rebelo de Sousa depois de ter sido aprovada na Assembleia Nacional com os votos favoráveis do governo PSD, dos democratas-cristãos CDS-PP (que fazem parte do Executivo) e do Chega. Os liberais (IL) se abstiveram e os demais partidos políticos, liderados pelo Partido Socialista, votaram contra.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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