MADRID 24 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, apelou nesta quarta-feira à Justiça de seu país para que tome medidas contra os responsáveis pelos bloqueios que, durante mais de 50 dias, “prejudicaram a pátria”, interrompendo sua atividade econômica, ressaltando que a prisão é “o lugar certo onde eles devem estar”.
“Tem que haver responsáveis”, enfatizou Paz durante um evento para comemorar o bicentenário da Polícia Nacional, realizado na praça Murillo, no centro de La Paz. O presidente boliviano destacou que “uma coisa é a reivindicação social” e outra bem diferente “prejudicar o povo sob o pretexto” de reivindicações que foram infiltradas pela “política narcoterrorista”.
É por isso que ele pediu “respeitosamente” ao Ministério Público e ao Poder Judiciário que ajam “com firmeza” contra aqueles que “causaram danos nestes 50 dias”, apontando para essas organizações “que faziam do bloqueio um instrumento para chantagear e subjugar as vontades democráticas”, conforme relata o jornal ‘El Deber’.
“A democracia é firme; tudo dentro da democracia, nada fora dela; tudo dentro da Constituição, nada fora dela”, enfatizou Paz, que estimou em mais de 90 milhões de bolivianos (cerca de 11,5 milhões de euros) os prejuízos econômicos causados por esses bloqueios.
CRÔNICA DOS PROTESTOS
Coincidindo com o Dia Internacional do Trabalhador, a Central Obrera Boliviana (COB), um dos maiores sindicatos do país, declarou uma greve geral por tempo indeterminado para reivindicar melhorias nas condições de trabalho e salariais, bem como medidas eficazes para enfrentar a falta de divisas e combustível.
Alguns dias depois, grupos de camponeses de La Paz aderiram aos protestos, montando os primeiros bloqueios nas rodovias — uma medida de pressão que foi replicada por outros grupos, entre eles os mais próximos ao ex-presidente Evo Morales, em todo o país, fazendo suas essas reivindicações e exigindo a renúncia de Paz.
Durante os momentos mais críticos do protesto, foram registrados mais de uma centena de bloqueios espalhados por sete dos nove departamentos que compõem a Bolívia. Após várias tentativas frustradas de estabelecer um diálogo, finalmente, quando se completaram 50 dias de bloqueios, a COB e o governo chegaram a um acordo.
Horas depois disso, Paz decretou o estado de exceção para recorrer às Forças Armadas a fim de levantar esses bloqueios, que continuavam sendo liderados pelos grupos camponeses e pelos aliados de Morales, o qual, três dias após a declaração de emergência, anunciou “uma pausa” nos bloqueios.
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