Publicado 27/04/2026 09:07

O presidente libanês defende a trégua como um "passo necessário" para as negociações e rejeita as críticas do Hezbollah

Responde ao Hezbollah que “traição” é “levar o país à guerra para atender a interesses externos”

8 de abril de 2026, Beirute, LÍBANO: O presidente do Líbano, Joseph Aoun, fotografado durante uma reunião bilateral com o presidente do Líbano, em Beirute, Líbano, no âmbito de uma visita diplomática do ministro das Relações Exteriores da Bélgica ao Líban
Europa Press/Contacto/Virginie Lefour

MADRID, 27 abr. (EUROPA PRESS) -

O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou nesta segunda-feira que o cessar-fogo é um “primeiro passo necessário” para qualquer negociação com Israel, insistindo que os críticos das conversações, como o grupo do partido-milícia xiita Hezbollah, devem “esperar” que elas ocorram e “julgar o resultado”.

“O cessar-fogo é um passo inicial necessário para qualquer negociação posterior, e é isso que repetimos nas duas sessões realizadas em nível de embaixadores”, afirmou Aoun, ressaltando que o comunicado do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que facilita as conversas, estabelece que “Israel não realizará operações ofensivas contra alvos libaneses”, tanto civis quanto militares do Estado libanês.

Assim, em uma mensagem divulgada por seu gabinete nas redes sociais, o presidente libanês respondeu às críticas do Hezbollah por promover contatos diretos com Israel. “Alguns nos repreendem por termos decidido ir às negociações alegando a falta de consenso nacional. Eu pergunto: quando vocês optaram pela guerra, contavam primeiro com um consenso nacional?”, afirmou, em referência à ofensiva lançada pelo Hezbollah no contexto da guerra no Irã e que serviu de pretexto para Israel atacar e invadir o sul do país.

Diante das críticas de que Beirute vai negociar a partir da “rendição”, Aoun instou os críticos a “esperarem o início das negociações e julgarem o resultado”.

Dessa forma, ele rejeitou que sua aposta no diálogo com Israel seja uma “traição” ou signifique uma “humilhação”: “O que fazemos não é traição; sim, a traição é cometida por quem leva seu país à guerra para alcançar interesses externos”, afirmou em outra referência ao Hezbollah, grupo estreitamente ligado ao Irã.

Nesse sentido, ele afirmou que sua responsabilidade é conduzir o Líbano pelo “caminho da salvação”. “Meu objetivo é chegar a pôr fim ao estado de guerra com Israel, à maneira do acordo de trégua. Por acaso o acordo de trégua foi humilhante? Eu não aceitarei chegar a um acordo humilhante”, advertiu.

CRÍTICAS DO HEZBOLÁ PERANTE NEGOCIAÇÕES QUE NÃO RECONHECE

Essas declarações respondem às críticas feitas pelo Hezbollah, cujo secretário-geral do partido-milícia xiita Hezbollah, Naim Qasem, expressou sua "total rejeição" às negociações diretas entre o Líbano e Israel, afirmando que essas conversas "não existem" para o grupo, que seguirá em frente com "a resistência" e "respondendo à agressão" do Exército israelense no sul do país.

Em um comunicado divulgado pela emissora de televisão libanesa Al Manar, Qasem criticou esse processo de conversações, após indicar que o que tanto Israel quanto os Estados Unidos “desejam” “não está nas mãos das autoridades libanesas”.

O líder do Hezbollah denunciou concessões “humilhantes e desnecessárias” por parte de Beirute, após alertar que Israel e os Estados Unidos buscam apenas “a submissão sem obter nada em troca”.

Esses conflitos internos no Líbano somam-se à fragilidade da prorrogação do cessar-fogo por mais três semanas anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após contatos mantidos na Casa Branca com representantes de ambas as partes.

A persistência de incidentes no terreno reflete a dificuldade de consolidar a trégua, depois que o Hezbollah lançou ataques que resultaram na morte de um militar israelense e quatro feridos graves, em meio aos ataques contínuos de Israel no sul do país.

O atual ciclo de violência insere-se na escalada iniciada em 2 de março, quando o Hezbollah lançou mísseis contra Israel em retaliação à morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, no contexto dos ataques norte-americanos e israelenses contra o Irã. Desde então, Israel tem realizado uma intensa campanha de bombardeios e incursões terrestres no sul do Líbano, onde mantém presença militar apesar do cessar-fogo.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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