Juan Barbosa - Europa Press - Arquivo
MADRID 6 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Senado, Pedro Rollán, afirmou que a mensagem do Papa está “acima das leis e das fronteiras” ao ser questionado sobre a defesa que Leão XIV tem feito dos migrantes desde o início de seu pontificado, uma posição que contrasta com a rejeição do PP à iniciativa de regularização promovida pelo Governo.
Em entrevista ao programa “Parlamento” da RNE, divulgada pela Europa Press, Rollán evitou se pronunciar sobre se o Pontífice apoiará, durante sua visita à Espanha, medidas concretas em matéria de migração, embora tenha destacado que sua mensagem transcende o âmbito político e institucional.
“Sua mensagem está acima das leis, sua mensagem está acima dos países, acima das fronteiras”, afirmou o presidente da Câmara Alta.
Essas declarações ocorrem no contexto da visita que Leão XIV realizará à Espanha entre 6 e 12 de junho, uma agenda que incluirá uma intervenção perante uma sessão conjunta do Congresso e do Senado, bem como uma visita às Ilhas Canárias.
A defesa dos imigrantes tornou-se uma das principais linhas de ação do Papa desde o início de seu pontificado. Em numerosas ocasiões, ele insistiu que a dignidade humana deve prevalecer em qualquer debate sobre migração.
Nesse sentido, o presidente da Câmara Alta insistiu em diferenciar entre o papel moral da Igreja e a responsabilidade das instituições públicas.
“Nós, como representantes políticos, temos de defender a legalidade vigente”, afirmou, antes de lembrar que existem procedimentos estabelecidos para garantir a segurança dos migrantes.
VISITA DO PAPA AO PARLAMENTO
Por outro lado, Rollán demonstrou sua satisfação com a próxima visita do Papa ao Parlamento e declarou-se “muito contente, muito feliz e muito esperançoso” com a presença de Leão XIV.
O presidente do Senado garantiu ainda que espera que o Pontífice aborde questões relacionadas à dignidade humana, às mudanças tecnológicas ou à inteligência artificial, sobre a qual defendeu que deve estar “a serviço do cidadão e não o contrário”.
Da mesma forma, rejeitou os extremismos políticos e defendeu a moderação como espaço maioritário da sociedade. “Qualquer movimento extremista, seja de uma direção ou de outra, creio que é algo de que devemos nos afastar”, sustentou.
NÃO COMPARTILHA DAS AUSÊNCIAS
Em relação à decisão de alguns partidos de não comparecer à intervenção do Papa no Parlamento, como o Podemos ou o BNG, Rollán garantiu que “respeita essa postura”, embora não a compartilhe.
“Pelo menos são coerentes”, afirmou, ao mesmo tempo em que sugeriu que outros representantes políticos comparecerão ao evento, apesar de manterem posições distantes da doutrina católica.
Por fim, ele expressou a esperança de que a visita do Papa Leão XIV não seja utilizada para fins partidários e defendeu que a mensagem do Pontífice está “acima da ideologia” e “a serviço dos seres humanos”.
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