Publicado 09/08/2026 15:14

O presidente do Senado acusa o governo de “subtrair” à Câmara Alta sua função de fiscalização na crise de Ceuta

Rollán mantém a intimação a Marlaska, Robles e Albares e critica a falta de cortesia institucional do Executivo ao se recusar a permitir que eles compareçam

Archivo - Arquivo - O presidente do Senado, Pedro Rollán, durante uma sessão extraordinária no Senado, em 9 de julho de 2026, em Madri (Espanha). A sessão plenária extraordinária do Senado de hoje tem como objetivo avançar em várias iniciativas legislativ
Jaime Luján Alarcón - Europa Press - Arquivo

MADRID, 9 ago. (EUROPA PRESS) -

O presidente do Senado, Pedro Rollán, do Partido Popular, acusou o governo de querer “subtrair” à Câmara Alta a função de fiscalização do governo que lhe cabe constitucionalmente, ao se recusar a permitir que os ministros do Interior, Fernando Grande-Marlaska; Defesa, Margarita Robles, e Relações Exteriores, José Manuel Albares, comparecerem ao Senado para prestar contas sobre o papel de seus respectivos ministérios na crise migratória de Ceuta.

É o que expõe Rollán em uma carta enviada ao secretário de Estado de Relações com os Poderes Legislativos, Rafael Simancas, na qual informa que não atenderá ao pedido de que o Senado cancele as sessões das comissões para receber as audiências dos três ministros previstas para a próxima semana e a seguinte.

“A solicitação apresentada não poderia ser mais infeliz, e as razões em que se baseia, mais equivocadas”, afirma Rollán em sua carta, divulgada pela Europa Press, na qual, além disso, demonstra sua “surpresa” com o pedido de Simancas.

O GOVERNO CONSIDERA “UM ABSURDO” REPETIR AS AUDIÊNCIAS

Segundo ele, o secretário de Estado argumenta que é um “absurdo” que os três ministros sejam convocados ao Senado nesta semana e na próxima, quando já irão comparecer na última semana de agosto no Congresso; além disso, argumenta que eles não teriam tempo para preparar suas intervenções caso comparecessem nas datas fixadas pela Câmara Alta.

“O pedido que o senhor apresenta é, portanto, um convite para que esta Presidência desobedeça às suas obrigações constitucionais e regulamentares, por isso compreenderá minha surpresa e espanto”, replica Rollán, lembrando que ele convocou as comissões porque assim o solicitou a maioria absoluta do Senado, que está nas mãos do PP.

Rollán admite que “teria cabido uma margem razoável, dentro da urgência que o objeto das audiências exige”, para acordar as datas diretamente com o Governo, mas que a Câmara “não encontrou qualquer receptividade por parte do Governo para tal”. E critica o fato de o Executivo ter se “apressado” a solicitar a comparecimento, por iniciativa própria dos ministros, no Congresso na última sexta-feira, um dia depois de o PP ter registrado seus pedidos no Senado.

A DOUTRINA “INECUÍVOCA” DO TC

“O Senado não tem nada a objetar a tais solicitações. No entanto, não pode ignorar a notória intenção de privar o Senado do exercício de suas funções constitucionais, como fica claramente evidente no pedido contido em sua carta, com base em uma argumentação tão equivocada em termos constitucionais quanto descortês no plano político”, reclama Rollán.

Nesse contexto, ele lembra a Simancas que “é doutrina incontestável” e que o Tribunal Constitucional declarou “em termos inequívocos” que “não se pode equiparar a relação fiduciária que vincula o Governo às Cortes Gerais, representadas pelo Congresso dos Deputados, com a função ordinária de controle, que cabe igualmente às duas Câmaras que compõem as Cortes Gerais”.

E acrescenta, como já havia feito nas cartas enviadas neste sábado aos ministros convocados a comparecer, que eles têm “uma obrigação jurídica genuína de comparecer à Câmara que os convoca”. Da mesma forma, ressalta que, uma vez que o PP solicitou a presença dos ministros no Senado antes de o Governo registrar seus pedidos por iniciativa própria no Congresso, “um senso elementar de cortesia institucional teria levado o Governo a facilitar a realização das audiências no Senado primeiro, e a fazê-lo com prioridade”.

A concessão irônica que o Governo faz quanto à presença de senadores na Comissão Mista de Segurança Nacional — na qual também teria solicitado comparecer — mal merece comentário, pois certamente não pode anular a comparecimento obrigatório dos ministros envolvidos nas comissões do Senado que foram convocadas.

Salta à vista, enfim, a inconsistência do argumento da brevidade do prazo de convocação para a audiência, pois, uma vez desencadeada a crise objeto das comparecimentos solicitados no último dia 30 de julho, que se prolongou nos dias subsequentes, e considerando que os ministros do Governo da Nação dispõem dos recursos inerentes a tal alta condição,

não se pode afirmar sem constrangimento que seis e dez dias de antecedência em relação às sucessivas audiências convocadas para os dias 12, 13 e 17 de agosto sejam insuficientes para sua preparação.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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