Europa Press/Contacto/Mariana Bazo - Arquivo
MADRID 21 jan. (EUROPA PRESS) - O presidente do Peru, José Jerí, descartou renunciar após a polêmica gerada por suas reuniões clandestinas com um empresário chinês e alegou que não tem nada a esconder. “Não menti ao país, não fiz nada ilegal”, defendeu-se, apesar de, por lei, ter de registar este tipo de encontros. Jerí repreendeu aqueles que tentaram “distorcer atos comuns” como ir a um restaurante chinês ou fazer compras numa loja. “Alguém renunciaria se tivesse algo a esconder”, disse o presidente peruano, ressaltando que já se colocou à disposição do Ministério Público e do Congresso para esclarecer esses fatos. No entanto, ele reconheceu que se reuniu três vezes com Zhihua Yang, um empresário chinês que teve contratos com o Estado. A primeira vez foi em um local em Lima que ele não sabia que estava fechado. “Estão aproveitando a situação para atacar a investidura presidencial além do meu erro, que já reconheci, e também para afetar o processo eleitoral”, afirmou em entrevista ao Canal N. Um dos presentes em uma dessas visitas ao restaurante chinês era Ji Wu Xiaodong, processado por tráfico ilegal de madeira, fato do qual Jerí, ressaltou, não tinha conhecimento. “Não posso saber todas as atividades realizadas pelos amigos de quem era meu amigo”, justificou, referindo-se a Zhihua. Com relação a este último, Jerí garantiu que não tem contato com ele depois de ter constatado que “ele vem prejudicando” a Presidência. “Não posso considerá-lo uma pessoa que continue sendo meu amigo”, disse. No final de dezembro, a imprensa peruana publicou imagens do presidente peruano indo a um estabelecimento fechado de Yang em Lima, um encontro fora de sua agenda oficial ao qual ele foi em carro oficial. Nelas, Jerí é visto entrando discretamente no local, com capuz e óculos escuros.
Depois de afirmar que foi à loja para comprar doces chineses, Jerí reconheceu ter cometido um “erro” que atribuiu à sua forma de fazer política “nas ruas”. Além disso, antes desse encontro, Zhihua visitou o Palácio do Governo pelo menos três vezes entre dezembro e janeiro, de acordo com registros oficiais.
Nesta terça-feira, a Aliança para o Progresso, uma das principais forças do Congresso e aliada de Jerí, pediu sua renúncia imediata “devido à gravidade dos fatos” e “ao dano causado” à instituição. No entanto, não mencionou se apoiaria alguma das moções de censura nas quais a oposição já está trabalhando.
Sua destituição seria mais fácil do que a de seus antecessores, já que Jerí exerce oficialmente a presidência interina após a destituição de Dina Boluarte, continuando assim como presidente do Congresso. Nesse caso, bastaria modificar a mesa diretiva do Legislativo, formada por ele mesmo e três vice-presidentes.
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