Publicado 28/06/2026 22:55

O presidente do Parlamento libanês afirma que o acordo com Israel “não será concretizado nem implementado”

Archivo - Arquivo - 15 de janeiro de 2025, Beirute, Beirute, Líbano: O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, se reúne com o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares. Berri, que lidera o Movimento Amal, de muçulmanos xiitas
Europa Press/Contacto/Marwan Naamani - Arquivo

MADRID 29 jun. (EUROPA PRESS) -

O presidente do Parlamento do Líbano, Nabih Berri, voltou a criticar o acordo-quadro firmado na sexta-feira entre o Líbano e Israel para iniciar negociações formais com vistas a uma paz e segurança duradouras, afirmando que tal compromisso “não será levado adiante nem implementado em sua forma atual”.

“Este acordo não será levado adiante nem implementado em sua forma atual”, afirmou Berri em um comunicado divulgado pelo partido que lidera, o Movimento Amal, e cujos ministros “participarão das sessões do Gabinete em que o acordo for apresentado e expressarão sua posição (contrária) de dentro das instituições”, conforme ele antecipou.

Nesse contexto, ele ressaltou que a “oposição a este acordo se manifestará dentro dos marcos constitucional, político e nacional”, uma posição que justificou argumentando que “o aspecto mais perigoso do acordo é que ele poderia abrir caminho para a discórdia e a divisão entre o povo libanês, favorecendo assim a ocupação israelense”.

“O acordo assinado em Washington é um conjunto de imposições, não um acordo que salvaguarde os direitos do Líbano. Esse acordo é dez vezes pior do que o de 17 de maio de 1983”, lamentou ele, em alusão ao acordo fracassado inicialmente aprovado pelo Parlamento libanês após a invasão israelense do Líbano em 1982, pacto que gerou forte oposição por parte de facções muçulmanas e de esquerda, bem como da Síria baathista.

De fato, essas pressões tiveram um papel fundamental para que o então presidente libanês, o católico maronita Amine Gemayel, não chegasse a promulgar plenamente o acordo e, na verdade, acabasse por revogá-lo e anulá-lo em março de 1984. Nesse sentido, a menção de Berri a esse acordo poderia responder, em parte, à defesa que o filho do referido ex-presidente, o atual líder do Partido das Falanges Libanesas, de orientação democristã, Sami Gemayel, fez neste fim de semana de um acordo pelo qual, em sua opinião, “o Líbano sai vitorioso” ao consagrar “o fim da guerra” e “a retirada completa de Israel do território libanês”, entre outras premissas.

Em contrapartida, Berri afirmou que “deve-se dar prioridade à retirada completa de Israel do território libanês ocupado, ao fim de sua agressão, à libertação dos prisioneiros e ao retorno dos residentes às suas aldeias, antes de qualquer outra negociação”.

“Condicionar a retirada israelense a exigências políticas e de segurança apenas prolonga a ocupação e não oferece garantias ao Líbano. Não nos deixaremos arrastar a protestos de rua nem a reações que possam ser exploradas para mergulhar o país no caos e na violência interna”, defendeu.

O presidente do Parlamento reafirmou assim sua posição, após ter considerado, na véspera, o acordo-quadro em questão como um gatilho de “discórdia” no Líbano, empregando o termo “fitna”, que, em um contexto islâmico, se refere a momentos de grande agitação interna, diante dos protestos ocorridos na capital do país.

O líder histórico do Movimento Amal é muito próximo do partido-milícia xiita Hezbollah, inimigo histórico de Israel, envolvido desde a guerra de Gaza em intensos combates contra o Exército israelense e que criticou desde o início as aproximações oficiais entre Beirute e Tel Aviv.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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