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MADRID, 6 abr. (EUROPA PRESS) -
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, voltou a rejeitar nesta segunda-feira o relatório da ONU sobre desaparecimentos forçados apresentado na semana passada, alegando que as Nações Unidas não levaram em conta uma série de documentos enviados pelo Executivo mexicano em suas conclusões.
“As Relações Exteriores e o Ministério do Interior enviaram documentos ao Comitê (da ONU contra o Desaparecimento Forçado) informando sobre todas as novas iniciativas em andamento, (...) as mudanças na legislação (...) vários temas (que) não foram considerados por essa comissão”, explicou em coletiva de imprensa, indicando que “por isso o documento divulgado na última quinta-feira foi rejeitado”.
Sheinbaum mostrou-se crítica em relação aos resultados do relatório, ao considerar que eles “extrapolam” os casos de quatro estados — Veracruz, Jalisco, Nayarit e Coahuila — de um total de 31 que o país registrou entre os anos de 2009 e 2017. “Há uma extrapolação até 2025”, acrescentou a respeito.
A governadora anunciou que o governo mexicano enviará ao Alto Comissário para os Direitos Humanos, Volker Turk, “seu relatório” sobre os desaparecimentos forçados “para que ele saiba o que está sendo feito e por quais razões” não estão “de acordo com este relatório apresentado por parte deste comitê”.
As autoridades mexicanas já rejeitaram o relatório na semana passada, classificando-o de “tendencioso”, criticando que o documento “omite considerar os esforços institucionais apresentados no último dia 27 de março”, citando a incorporação das comissões de vítimas ao Sistema Nacional de Busca, o fortalecimento do Banco Nacional de Dados Forenses, a obrigação de abrir um inquérito logo após a primeira denúncia, ou o reforço da Comissão Nacional de Busca com especialistas e equipamentos.
Conforme determinado pelo Comitê da ONU contra o Desaparecimento Forçado, existem “indícios fundamentados” de que no México “foram cometidos e continuam sendo cometidos desaparecimentos forçados que poderiam equivaler a crimes contra a humanidade”, no contexto dos “ataques generalizados ou sistemáticos” perpetrados contra a população civil em diversos pontos do país.
O comitê, que solicitou ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que leve à Assembleia Geral o caso dos desaparecimentos no México com o objetivo de identificar medidas de apoio ao Executivo para preveni-los e erradicá-los, indicou que foram encontradas “mais de 4.500 valas, contendo mais de 6.200 cadáveres e 4.600 restos mortais, além de cerca de 72.000 restos mortais não identificados”.
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