MADRID, 13 ago. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, demonstrou nesta quarta-feira perante o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Lariyani, sua rejeição a "qualquer interferência" nos assuntos internos do país, depois que Teerã criticou os planos de Beirute sobre o desarmamento da milícia xiita Hezbollah.
"Rejeitamos qualquer interferência em nossos assuntos internos e queremos que o Líbano permaneça seguro e estável para o benefício de todos os libaneses, sem discriminação. O Líbano, que não interfere de forma alguma nos assuntos de qualquer outro país e respeita sua privacidade, incluindo o Irã, não aceita que ninguém interfira em seus assuntos internos", disse ele.
Ele disse que eles estão "prontos para cooperar" bilateralmente "dentro dos limites da soberania e da amizade, com base no respeito mútuo", mas ressaltou que a linguagem que ele "ouviu recentemente de algumas autoridades iranianas é ineficaz" nesse sentido.
"Todos pagaram um preço alto por buscar apoio externo contra outros libaneses em seu próprio país, e a lição que aprenderemos é que nenhum partido, sem exceção, pode portar armas ou buscar apoio externo. O Estado libanês e suas forças armadas são responsáveis pela segurança de todos os libaneses, sem exceção", esclareceu ele, de acordo com uma declaração publicada pela presidência em seu site de rede social X.
Aoun especificou que a relação "amigável" que deve ser estabelecida entre Beirute e Teerã "não deve ser com um grupo, mas com todos os libaneses". Ele também garantiu que as autoridades são responsáveis por proteger toda a população e que "qualquer desafio vindo do inimigo israelense" ou de outros grupos "é um desafio para todos os libaneses".
Por sua vez, Larijani, que também é conselheiro do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, garantiu que "o Irã não tem intenção de interferir nos assuntos de nenhum país, incluindo o Líbano", enquanto considerou que quem está interferindo é "aquele que dá um plano e um cronograma a milhares de quilômetros de distância", em referência aos Estados Unidos.
Após essa reunião, o secretário do mais alto órgão de segurança do país centro-asiático também se reuniu com o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, que lhe disse que seu país "não aceitará ser usado como plataforma para acerto de contas ou como palco para mensagens regionais", já que "sofreu por muito tempo com a interferência de outros" e "é hora de virar a página".
"Nossas decisões soberanas derivam de nosso interesse nacional, incluindo qualquer plano ou cronograma", respondeu o chefe de governo libanês. Ele garantiu que o governo "continua a usar todos os meios políticos, diplomáticos e legais disponíveis para forçar Israel a se retirar imediatamente dos territórios libaneses ocupados e a cessar seus ataques".
Salam enfatizou que "o Líbano, que foi o primeiro a defender a causa palestina e pagou o preço mais alto contra Israel, não precisa de lições de ninguém". "Expressei com toda a franqueza que as recentes declarações de algumas autoridades iranianas eram inaceitáveis, tanto na forma quanto no conteúdo", disse ele.
"Essas posições, que incluem críticas diretas às decisões tomadas pelas autoridades constitucionais do país, especialmente aquelas declarações que trazem ameaças explícitas, constituem um desvio flagrante das normas diplomáticas e uma violação do princípio do respeito mútuo pela soberania", observou.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático