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MADRID 3 ago. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, instou nesta segunda-feira o Poder Judiciário a apresentar a acusação formal pela explosão ocorrida em agosto de 2020 no porto de Beirute, às vésperas de mais um aniversário da catástrofe que deixou cerca de 220 mortos e 6.500 feridos, pois “não se pode mais tolerar atrasos”.
“O Líbano enfrenta uma ferida que ainda não cicatrizou e uma lembrança que ainda não foi apagada”, afirmou Aoun em um comunicado para relembrar os fatos que qualificou como “uma tragédia sem precedentes” na história do país. “Isso mudou a face da capital, ceifou vidas inocentes e deixou centenas de feridos”, destacou.
Aoun instou o juiz responsável pelo inquérito, Tarek Bitar, a divulgar o mais rápido possível a acusação contra os possíveis responsáveis pela tragédia ocorrida em 4 de agosto, há seis anos. “Isso se tornou uma necessidade que não pode mais ser adiada”, enfatizou o presidente libanês.
“A ferida não cicatrizará, e a nação não recuperará a confiança em suas instituições, até que o processo judicial seja concluído”, disse o presidente, que alertou que este novo aniversário relembra a responsabilidade do país com “o dever da verdade, da justiça e da prestação de contas”.
“Justiça não significa vingança, mas sim o cumprimento da lei, a revelação de toda a verdade, sem omissões, e a punição de todos aqueles que foram negligentes, descumpriram seu dever ou causaram essa catástrofe, independentemente de sua posição ou status”, enfatizou o presidente libanês.
Nesse sentido, ele ressaltou que essa é a única maneira de os tribunais poderem demonstrar “sua independência e sua capacidade de fazer justiça”, bem como seu compromisso com as famílias das vítimas, que esperaram por muito tempo”.
As investigações, marcadas por inúmeros recursos e obstáculos legais, concluíram que aquela explosão devastadora foi provocada por um incêndio em um armazém onde toneladas de fertilizante de nitrato de amônio haviam sido armazenadas de forma desordenada durante anos.
A reivindicação do presidente libanês ocorre no momento em que o caso entrou em sua fase final. Bitar encaminhou o processo ao Ministério Público no final de março para que a acusação formal possa ser formulada, como etapa prévia e necessária antes de sua divulgação.
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