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MADRID 16 abr. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, enfatizou nesta quinta-feira que o cessar-fogo será “o ponto de partida” nas negociações com Israel, quando se esperam contatos diretos com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, após as conversas iniciadas em Washington para pôr fim aos confrontos entre o Exército israelense e o partido-milícia xiita Hezbollah.
“O cessar-fogo que o Líbano exige de Israel será o ponto de partida natural para negociações diretas entre os dois países, de acordo com a iniciativa presidencial”, indicou ele em uma mensagem divulgada por seu gabinete, após a reunião com o secretário de Estado britânico para o Oriente Médio, Hamish Nicholas Falconer.
Nesse sentido, o presidente libanês insistiu no “compromisso” do Líbano de “conter a escalada no sul e em todas as regiões libanesas”, enfatizando que devem cessar os ataques contra “civis inocentes” e “a destruição de residências em vilas e cidades libanesas”.
Segundo Aoun, as autoridades libanesas serão “as únicas responsáveis pelas negociações”, ressaltando que se trata de questões soberanas e, portanto, “ninguém mais pode intervir”, após indicar que um passo fundamental seria a retirada das forças militares israelenses do território libanês.
Da mesma forma, ele apontou para a redistribuição do Exército libanês “nas fronteiras internacionais”, “estendendo plenamente a autoridade estatal e pondo fim a toda presença armada”.
Do lado de Israel, a ministra da Ciência e Tecnologia de Israel, Gila Gamliel, revelou que Netanyahu manterá uma conversa com Aoun ainda hoje, insistindo que o contato ocorrerá “após muitos anos de total desconexão no diálogo entre os dois Estados”. “Espero que essa iniciativa, no final, leve à prosperidade”, afirmou.
De qualquer forma, foi Washington quem pressionou para que a ligação fosse mantida, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “os dois líderes” do Líbano e de Israel conversariam na quinta-feira. “Faz muito tempo que os dois líderes não conversam, cerca de 34 anos. Será amanhã”, afirmou Trump em uma breve mensagem nas redes sociais.
O Líbano havia solicitado em várias ocasiões a Israel a abertura de negociações bilaterais, algo aceito apenas na última quinta-feira por Netanyahu, que ordenou manter negociações diretas com o Líbano para estabelecer “relações pacíficas” e trabalhar em conjunto para “desmantelar” o Hezbollah, um ponto que também é reivindicado por Beirute.
O Líbano e Israel, que não mantêm relações diplomáticas, realizaram conversas de alto nível pela última vez em 1993, embora não no nível de presidente e primeiro-ministro.
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