Carlos Luján - Europa Press
SEVILLA, 30 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente executivo do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF), Sergio Díaz-Granados, enfatizou nesta segunda-feira a necessidade de finalmente conseguir a ratificação do acordo de livre comércio alcançado em dezembro do ano passado pela União Europeia e o Mercosul, ao mesmo tempo em que destacou que este passo é necessário para "gerar confiança" e enfrentar alguns "muros tarifários".
"A ratificação do acordo significaria que 97% da economia da América Latina e do Caribe estariam cobertos por regras previsíveis de comércio e investimento em bens e serviços, e seria a maior área de livre comércio do mundo, cobrindo mais de 22% do PIB mundial", disse Díaz-Granados, que afirmou que as possibilidades são "importantes", especialmente devido à política de tributação de países como os Estados Unidos.
Ele fez essa declaração durante uma coletiva de imprensa realizada paralelamente à IV Conferência sobre Financiamento para o Desenvolvimento (FFD4) em Sevilha, onde enfatizou a importância da cúpula UE-CELAC a ser realizada na cidade colombiana de Santa Marta em novembro deste ano.
Esse evento, explicou, será "um marco" no relacionamento entre a União Europeia e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), especialmente porque o tratado do bloco com o Mercosul ainda não foi ratificado, e esse fórum servirá como uma plataforma para o diálogo e a cooperação entre as partes.
"Isso enviaria um sinal de confiança, de crença em um sistema comercial expandido baseado em regras, que é fundamental para o crescimento do investimento, para derrotar a pobreza e reduzir a desigualdade no mundo", disse o ex-ministro do comércio colombiano sob a presidência de Juan Manuel Santos.
Nesse sentido, ele lembrou que a Europa "já é o principal investidor na América Latina e no Caribe" e o maior "gerador de empregos" na região. "Isso deve ser tomado como um ponto de partida, não como um ponto final", disse ele, não sem antes aplaudir as declarações feitas durante o dia pelo Secretário Geral da ONU, António Guterres, que destacou a importância do trabalho dos bancos de desenvolvimento.
"Precisamos mais do que nunca avançar no fortalecimento dos bancos de desenvolvimento. Esses bancos têm 15% do financiamento mundial. Somos uma das principais fontes de financiamento para os governos da América Latina", disse ele. "Precisamos agir de acordo com a mensagem de Guterres e precisamos melhorar as condições financeiras dos países para aliviar o ônus da dívida", acrescentou.
Sobre as políticas tarifárias, ele lamentou que "elas não sejam uma boa ideia", já que "a história tem mostrado a importância dos fluxos comerciais". "Essas políticas tarifárias causam grandes danos. Elas prejudicam as pessoas de renda mais baixa, tornando-se simplesmente um imposto regressivo sobre as famílias", afirmou.
FINANCIAMENTO RECORDE
Suas palavras foram proferidas um dia depois que a CAF anunciou a aprovação de um orçamento de US$ 5,2 bilhões para 16 operações em dez países da região, todas elas voltadas para o desenvolvimento sustentável e com a inclusão da Guatemala e de Santa Lúcia.
Díaz-Granados descreveu essa medida como "histórica" e destacou que se trata de uma "injeção não tanto de dinheiro, mas de confiança em tempos de incerteza para ajudar a América Latina e o Caribe a estabelecer as bases para seu crescimento econômico e força produtiva". Além disso, disse ele, inclui a expansão da "cobertura geográfica da CAF para a América Central e o Caribe".
"Na CAF, estamos comprometidos com o multilateralismo, apesar do fato de alguns países quererem se marginalizar de algumas dessas atividades. Acredito que isso será anedótico e que o mundo precisa continuar avançando. Os desafios que enfrentamos não são individuais, são coletivos, e os problemas ambientais não têm fronteiras. Nosso compromisso é expandir um banco que seja da região para a região", enfatizou.
IMPORTÂNCIA DAS CIDADES
Por sua vez, o Vice-Presidente Corporativo de Programação Estratégica da CAF, Christian Asinelli, já havia solicitado uma maior representação dos governos locais nas mesas de negociação sobre financiamento para o desenvolvimento durante um evento também realizado às margens da cúpula. "Muitas vezes, esses governos acabam sendo os últimos e, no final, não são representados", disse ele.
Ele se referiu à rede de governos locais na América Latina que são proeminentes nos processos e estruturas de integração regional, incluindo o Mercosul. "É nesses lugares importantes que a voz dessas instituições é ouvida, e teria sido bom ter uma organização de prefeitos em uma cúpula como essa", disse ele.
Nesse sentido, ele enfatizou que há três questões fundamentais quando se trata de lidar com problemas de financiamento e destacou o papel dos bancos de desenvolvimento, que "podem ajudar a gerar esse estado de fortalecimento". "Essas três questões são o fortalecimento das capacidades institucionais, financeiras e políticas".
"O maior fortalecimento que precisa ser feito é o das capacidades políticas, as coletivas. Há governos com maior capacidade e outros com menor. As redes são fundamentais aqui, e essas cidades podem gerar capacidade de negociação política", explicou.
Asinelli aproveitou a oportunidade para enfatizar que, por muitos anos, mas especialmente nos últimos três, a CAF "reformulou suas atividades para encontrar maneiras de financiar os governos locais". Ele admitiu que, embora em alguns casos isso seja "mais fácil", em outros é mais complicado devido às "regulamentações que cada lugar tem quando se trata de permitir que órgãos subnacionais tenham acesso a financiamento".
Ele também destacou o papel da COP30 - a ser realizada no final do ano no Brasil - e o papel do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, em "mostrar o potencial da América Latina e do Caribe como uma "região de soluções". "Eles estão se esforçando para garantir que essa cúpula mostre todo o potencial da região", disse ele.
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