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MADRID 29 maio (EUROPA PRESS) -
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, afirmou nesta sexta-feira que o ex-presidente Evo Morales sabe que “seus dias estão contados”, referindo-se ao fato de que “ele não poderá escapar da justiça”, que mantém um mandado de prisão contra ele por um caso relacionado ao tráfico de pessoas.
"Ele está escondido no Chapare, não dorme bem, conta com uma série de equipes de apoio e informação que o levam de um lado para outro, mas a qualquer momento essa equipe falhará e ele não poderá escapar da justiça”, afirmou o presidente boliviano em entrevista ao canal argentino A24 sobre o líder indígena, presidente entre 2006 e 2019, a quem ele vincula aos protestos e bloqueios de estradas no país.
"Ele, no fundo, sabe que seus dias estão contados, que mais cedo ou mais tarde terá que se apresentar à justiça, mais cedo ou mais tarde", refletiu Paz sobre a situação que atravessa o país sul-americano, ressaltando que sua prioridade é que não haja "mais nenhuma morte por culpa dele", em referência aos protestos que paralisaram o país e que ele atribui a grupos influenciados pelo ex-presidente.
“Ele é um delirante do poder e tem medo até da própria sombra. Quando Evo caminha, vê uma sombra ao lado e acredita que é uma conspiração, mas é a sua própria sombra, e está nele mesmo a sua autodestruição, porque a ansiedade pelo poder levará à destruição de sua organização; mas está claro que ele tem um poderoso apoio financeiro e está causando um dano extraordinário à Bolívia”, indicou.
Da mesma forma, ele apontou que o financiamento dos protestos viria de atividades ilícitas ligadas ao tráfico de drogas na região de Chapare. "Há pessoas decentes que trabalham honestamente, mas também há uma grande parcela da produção de folha de coca que vai para o tráfico de drogas e daí saem os recursos para essas mobilizações", afirmou sobre os protestos, que ele associou a uma "tentativa de golpe" contra o Executivo de Paz, que assumiu a Casa Grande do Povo em novembro passado.
DEFENDE O DIÁLOGO PARA ATENDER ÀS DEMANDAS E REJEITA A RENÚNCIA
Paz destacou que seu Executivo está no poder há seis meses e que busca atender também às “demandas históricas não atendidas” por meio do diálogo com os coletivos afetados. “Estamos firmes no diálogo para a resolução dos problemas e acredito que estamos muito próximos disso”, assinalou.
“Há pessoas com demandas justas, é preciso ser muito claro, mas por trás dessas demandas está toda essa força econômica do Chapare, que distorceu todo esse ciclo de reivindicações, e isso é uma tentativa de golpe. Evidentemente, eles fracassaram”, indicou.
Nesse sentido, ele ignorou os pedidos para que renuncie ao cargo, afirmando que os críticos “terão que aguentar”, pois ele se aterá ao “voto popular” que “indicou qual é o caminho”. “São cinco anos de mandato, que é o que devo cumprir”, enfatizou.
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