PRESIDENCIA DE BOLIVIA - Arquivo
MADRID, 1 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, afirmou nesta segunda-feira que o bloqueio dos sindicatos e organizações sociais que exigem sua renúncia poderia ser levantado “nos próximos dias” de forma pacífica e denunciou as tentativas de desestabilização por meio das redes sociais.
"Estou certo de que nos próximos dias, poucos dias, o sofrimento, sobretudo no Departamento de La Paz, se Deus quiser, chegará ao fim", declarou ele de Cochabamba, no centro do país, durante um evento em que apelou à reconciliação nacional e à defesa da democracia.
Paz propôs que a saída para o conflito se baseie em acordos amplos e entendimentos entre os diferentes setores do país. “Tem que ser sobre grandes acordos, tem que ser sobre reconciliação, sobre como todos os bolivianos vamos trabalhar”, argumentou após apresentar a Lei de Alívio Tributário.
O presidente destacou sua vocação para o diálogo e a pacificação, embora tenha reconhecido que o processo exige paciência em meio à tensão social e política que o país vive. Paz distinguiu, assim, entre aqueles que apresentam demandas legítimas e os grupos que, segundo ele, buscam aproveitar o conflito para gerar instabilidade.
“É preciso saber quem realmente está reclamando de forma correta e honesta e quem está querendo prejudicar a democracia”, indicou.
Nesse sentido, denunciou a existência de campanhas que buscam aprofundar o confronto com mensagens difundidas através das redes sociais e outros canais que teriam origem fora do país e que pretendem afetar as instituições democráticas.
De fato, ele destacou que, apesar do “ajuste fiscal” aplicado, os recursos destinados à saúde e à educação se mantêm e houve um aumento na criação de itens em ambos os setores.
O presidente insistiu que o governo não tem intenção de privatizar empresas ou serviços públicos e que as medidas econômicas de seu governo visam reativar a economia, aliviar a situação dos pequenos contribuintes e fortalecer as capacidades produtivas das regiões.
Essas declarações foram feitas durante a promulgação da lei de alívio tributário, uma norma que, segundo o Executivo, beneficiará mais de 230 mil famílias e permitirá regularizar cerca de um milhão de contas tributárias.
Por fim, o presidente convocou instituições, organizações e autoridades eleitas democraticamente a apoiar os esforços de pacificação e reconciliação nacional. “Os violentos não podem nos derrotar. É um momento de transformação do país”, enfatizou.
SUSPENSÃO DAS ORDENS DE PRISÃO
Enquanto isso, a presidente do Tribunal Departamental de Justiça (TDJ) de La Paz, Margot Pérez, explicou que os mandados de prisão por terrorismo emitidos contra o líder da Central Obrera Boliviana (COB), Mario Argollo, e contra o responsável pela Federação Departamental de Trabalhadores Rurais Túpac Katari de La Paz, Vicente Salazar, não foram anuladas, mas sim suspensas temporariamente por falta de fundamentação do pedido apresentado pelo Ministério Público.
A anulação dos mandados de prisão contra Argollo e Salazar era uma das condições exigidas pelas organizações convocantes para qualquer diálogo com o governo. No entanto, ambas as organizações, reunidas em assembleia ampliada, decidiram no domingo manter as mobilizações.
Pérez explicou que a decisão judicial apenas ordena que o Ministério Público reformule e motive adequadamente a medida cautelar. “Os operadores da justiça que analisaram este pedido de liberdade consideraram que o Ministério Público deve fundamentar e justificar essa decisão para poder manter medidas como o mandado de prisão”, argumentou.
Assim que o Ministério Público cumprir as observações feitas pelo Tribunal Constitucional, poderá solicitar novamente a execução das medidas.
PROPOSTA DE REVOGAÇÃO
Em meio à crise, o deputado do partido de oposição Unidade, Carlos Alarcón, propôs a convocação de um referendo revogatório extraordinário para o presidente, o vice-presidente e os membros da Assembleia Legislativa como fórmula alternativa para superar a crise política e social que o país atravessa.
O atual confronto entre o governo e os setores mobilizados mantém a Bolívia em um “beco sem saída”, afirmou ele, ao mesmo tempo em que alertou que a violência não pode se tornar um mecanismo para trocar de autoridades. “Não podemos permitir que a violência derrube governos, mesmo que se disfarce de eleições antecipadas”, destacou. “Autoridade investida pelo voto, apenas pelo voto, deve ser revogada”, reforçou.
As mobilizações, que já completam quatro semanas, provocaram escassez de alimentos, combustível e suprimentos médicos em La Paz e na cidade vizinha de El Alto. Os manifestantes denunciam as políticas de direita do presidente, Rodrigo Paz, e exigem sua renúncia com um bloqueio rodoviário por tempo indeterminado, que já conta com mais de 90 pontos com barricadas.
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