“Acredito que seja possível”, afirma Díaz-Canel MADRID 5 fev. (EUROPA PRESS) - O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, mostrou-se favorável nesta quinta-feira a dialogar com os Estados Unidos, embora tenha colocado como condição que essas conversas sejam realizadas “sem pressões” e respeitando a soberania e a independência da ilha caribenha.
“Cuba está disposta a dialogar com os Estados Unidos, a dialogar sobre qualquer tema que se queira debater ou dialogar. Com que condições? Sem pressões, sob pressões não se pode dialogar”, afirmou o mandatário em declarações à imprensa.
Nesse sentido, ele reiterou que as conversas entre Cuba e os Estados Unidos devem ocorrer sob uma perspectiva de igualdade e “respeito” à soberania, independência e autodeterminação das nações, bem como sem abordar temas que possam ser percebidos como uma “ingerência” nos assuntos internos da ilha.
“Um diálogo como esse pode ser construído; uma relação entre vizinhos, civilizada, que poderia trazer benefícios mútuos aos nossos povos, aos povos das duas nações”, indicou, acrescentando que há temas comuns a tratar, como segurança, migração ou luta contra o narcotráfico.
Díaz-Canel destacou que a posição que defende de diálogo sem pressões é “histórica” e de “continuidade”, uma vez que já foi definida pela principal figura política da Revolução Cubana, Fidel Castro, e por seu predecessor, seu irmão Raúl Castro. “Acredito que seja possível”, afirmou.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, mostrou-se recentemente “extremamente preocupado” com a situação humanitária em Cuba, dada a necessidade do país caribenho de importar petróleo, e reiterou a exigência de longa data da Assembleia Geral de que os Estados Unidos suspendam o embargo à ilha.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu que imporia novas tarifas a qualquer país que enviasse petróleo a Cuba, alegando o suposto apoio a organizações terroristas e potências estrangeiras por parte do governo de Miguel Díaz-Canel, que rejeitou essas acusações e mostrou-se disposto a “reativar” a cooperação com Washington.
A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na morte de mais de uma centena de pessoas e na captura do presidente Nicolás Maduro, também significou o corte do fluxo de hidrocarbonetos deste país para Cuba, que em troca prestava serviços de proteção e segurança através de suas forças.
Nesse novo cenário, as tensões entre Washington e Havana se intensificaram, enquanto vários países, organizações e até mesmo figuras como o Papa Leão XIV pediram diálogo. Diante desse quadro, o governo chinês confirmou o envio de ajuda financeira e humanitária a Cuba, enquanto o México manifestou sua intenção de ajudar o país.
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