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MADRID, 23 abr. (EUROPA PRESS) -
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou que a ilha “deve se preparar para uma possível guerra” com os Estados Unidos diante da possibilidade de Washington “tentar agredir” Cuba, conforme vem ameaçando o presidente norte-americano, Donald Trump, que insiste em garantir que o país “cairá”.
“Eu digo a você que, nas condições atuais, é possível que tentem agredir Cuba. Temos que nos preparar para que não haja surpresa nem derrota”, declarou o mandatário cubano durante uma entrevista concedida ao portal de notícias brasileiro Ópera Mundi.
Nesse sentido, ele esclareceu que Havana “não promove a guerra, não a estimula”, mas deixou claro que “também não tem medo dela”. “Se tivermos que defender a revolução e a soberania da independência do país, assim será”, afirmou, antes de descrever a estratégia cubana como “baseada na doutrina conhecida como guerra de todo o povo”, que “combina a guerra simétrica com a irregular e a participação popular”.
“Nos preparamos não com uma visão ofensiva, nos preparamos com uma visão defensiva (...) onde cada cubano tem uma posição e uma missão a cumprir na defesa da pátria”, afirmou.
Ao ser questionado sobre essa possível preparação para uma intervenção militar, ele respondeu com veemência: “Claro que sim. Estamos todos preparados em Cuba e todos nós que ocupamos cargos de responsabilidade”.
Díaz-Canel alertou que esse tipo de ação “bélica” teria um “custo político internacional”, uma vez que uma possível agressão militar seria “rejeitada por grande parte da comunidade internacional, incluindo uma parcela significativa da população norte-americana”.
DISPOSIÇÃO AO DIÁLOGO
No entanto, ele reafirmou a disposição das autoridades cubanas de dialogar com os Estados Unidos “desde que seja feito com respeito à soberania e à independência” da ilha. “Historicamente, Cuba tem se mostrado disposta a dialogar com o governo dos Estados Unidos”, insistiu.
A conversa ocorreu no Palácio da Revolução, onde Díaz-Canel lamentou a situação pela qual a ilha está passando em meio ao bloqueio econômico e à crise energética decorrente das políticas americanas em relação à Venezuela, onde perpetraram um ataque no início do ano e capturaram o presidente, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores.
"Temos um bloqueio energético sob a suposta justificativa imperialista de que Cuba é uma ameaça incomum e extraordinária para os Estados Unidos, algo que é contrário a tudo o que somos. Não é uma situação recente, é uma situação que vem se tornando cada vez mais complexa porque é uma situação acumulada”, explicou.
Além disso, ele lembrou que “Cuba está sob bloqueio há mais de 60 anos”, embora tenha lamentado que a situação tenha piorado sob o governo Trump: “Além disso, nos incluíram em uma lista de países que supostamente apoiam o terrorismo”. “O bloqueio se internacionalizou e se tornou mais severo”, acrescentou.
“Portanto, já a partir daí começamos a sofrer uma série de problemas com a disponibilidade de divisas, com a produção, porque não havia garantia de matérias-primas e insumos, além das limitações do turismo”, esclareceu o presidente, que denunciou essa “perseguição energética e financeira”.
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