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MADRID, 4 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, alertou nesta quinta-feira que o acordo alcançado com Israel para a aplicação de um cessar-fogo “pode ser a última oportunidade” para pôr fim ao conflito e afirmou que o mesmo “pode entrar em vigor em 24 horas” assim que o acordo for notificado, aguardando a posição a ser adotada pelo partido-milícia xiita Hezbollah, que não participou das negociações e do qual se exige que dê o primeiro passo, pondo fim aos seus ataques.
Aoun defendeu que o acordo anunciado “inclui pontos muito importantes a favor do Líbano” e disse que “pode ser a última oportunidade para se chegar a um acordo definitivo e abrangente”. “As diferentes partes são responsáveis em caso de descumprimento”, sublinhou, antes de destacar que “assim que forem recebidas respostas das partes internamente, particularmente do Hezbollah, os Estados Unidos serão informados da posição libanesa para tomar medidas”.
Assim, ele destacou que “os Estados Unidos determinarão a data e o mecanismo para a aplicação do cessar-fogo, que poderia entrar em vigor 24 horas após a notificação do acordo, e as garantias necessárias”, ao mesmo tempo em que revelou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seria “garante direto de sua aplicação”, conforme noticiado pela agência de notícias estatal libanesa, NNA.
O presidente libanês elogiou o trabalho da delegação oficial diante de negociações “extremamente difíceis” e argumentou que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, teve que “intervir” para conseguir o reinício das conversas, bloqueadas depois que Beirute pediu que se abordasse um cessar-fogo antes de tratar de qualquer outro tema do processo político com o Líbano.
“Durante o dia de ontem e as primeiras horas de hoje, mantivemos contato com partes internacionais e nacionais para conseguir um cessar-fogo abrangente. Há países irmãos e amigos desempenhando um papel importante para fazer avançar o processo em favor do Líbano”, explicou.
As últimas hostilidades em grande escala eclodiram em 2 de março, quando o Hezbollah lançou projéteis contra território israelense em retaliação ao assassinato do então líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, na ofensiva lançada em 28 de fevereiro por Israel e pelos Estados Unidos contra a República Islâmica.
Desde então, os ataques do Exército israelense no Líbano deixaram mais de 3.500 mortos e 10.600 feridos, apesar de ambos os países terem acordado um cessar-fogo em meados de abril — que, um mês depois, foi prorrogado por 45 dias —, o que não pôs fim aos bombardeios, acompanhados por uma invasão terrestre por parte de Israel, que chegou a ameaçar com uma campanha de bombardeios contra a capital, Beirute.
Anteriormente, as partes haviam acordado um cessar-fogo em novembro de 2024, após treze meses de combates na sequência dos ataques de 7 de outubro de 2023, embora, desde então, Israel tenha continuado a lançar ataques frequentes contra o país e mantido a presença de militares em vários pontos, alegando que agia contra o Hezbollah, em meio a denúncias de Beirute e do grupo xiita sobre essas ações.
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