MADRID 19 jun. (EUROPA PRESS) -
O prefeito da Grande Manchester e candidato à sucessão de Keir Starmer como primeiro-ministro do Reino Unido, o também trabalhista Andy Burnham, venceu com folga nas eleições parlamentares suplementares realizadas nesta quinta-feira, conquistando assim a cadeira pelo distrito eleitoral de Makerfield, o que lhe permitirá disputar a chefia do governo com o atual ocupante do número 10 de Downing Street.
A candidatura trabalhista de Burnham obteve 54% dos votos, a uma distância considerável de seu principal adversário, o partido de extrema direita Reform UK (35%), e de sua facção dissidente, o Restore Britain (7%), de acordo com os dados divulgados pela Prefeitura de Wigan, que faz parte da Grande Manchester e onde fica Makerfield. A participação eleitoral foi de 58,75%.
Após confirmar sua vitória, o trabalhista afirmou que o resultado “pode ser um ponto de inflexão” e que as pessoas haviam “votado pela mudança, votaram por mais poder para o norte e para todos os lugares esquecidos por Westminster”, conforme relatado pelo jornal britânico ‘The Guardian’.
Nesse sentido, o até então prefeito considerou sua campanha eleitoral em Makerfield como “um teste” que “garantirá que as regiões esquecidas por Westminster recebam agora um tratamento justo”, alegando que vários eleitores haviam lhe expressado seu sentimento de abandono e que “o país funciona para outros, para outros lugares, mas não para cá”.
“Isso muda esta noite. Este resultado muda tudo. Este resultado dará origem a um país que funcione com justiça para todos. O povo daqui votou pela mudança, votou por mais poder para o Norte e para todos os lugares esquecidos por Westminster. Agora vamos devolver isso a eles”, afirmou Burnham.
Apelidado de “O Rei do Norte”, o político trabalhista retornará a Westminster nove anos após sua saída e depois de ter feito parte dos governos de Tony Blair e Gordon Brown. Agora, sua nova posição lhe permitirá desafiar Starmer, que enfrenta inúmeras petições de renúncia devido à nomeação de Peter Mandelson como embaixador nos Estados Unidos — investigado por supostamente ter revelado informações confidenciais ao criminoso sexual Jeffrey Epstein —, seguido por eleições nas quais o Partido Trabalhista perdeu mais de 1.200 vereadores e o controle do Senedd (Parlamento) galês em maio.
De fato, Burnham também lançou slogans menos voltados para o âmbito local e regional e muito mais direcionados à política nacional, alegando que esta é a “última chance de mudança” para o Partido Trabalhista.
“Não haverá uma segunda chance, mas o resultado desta noite nos dá a oportunidade de construir uma nova política baseada na unidade e na esperança, afastando-nos do caminho que nos leva a uma política dividida como a que vemos nos Estados Unidos”, defendeu ele, ressaltando a necessidade de “aproveitar essa oportunidade, colocar este país de volta no caminho certo, unir as pessoas e fazer com que as coisas funcionem corretamente”.
A eleição suplementar em Makerfield foi convocada quando Josh Simons, na época deputado trabalhista, concordou em renunciar em maio para permitir que Burnham concorresse à vaga e desafiasse a liderança enfraquecida de Starmer, que, no entanto, declarou que não renunciará ao cargo e que pretende combater qualquer desafio.
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